Fiscalização reprova 160 lotes de azeite de oliva
2 de Maio de 2018
Para safra 2018/19, Conab prevê nova queda do açúcar e aumento do etanol
3 de Maio de 2018

Trator movido a biometano confirma aposta da New Holland em energias limpas

Cristina Rappa

O novo veículo, uma das atrações desta 25a Agrishow, simboliza o conceito de Fazenda Independente de Energia e de uma produção livre do petróleo e neutra de CO2

Cristina Rappa

Um trator de design futurista e harmonioso, inspirado no automotivo, pendurado em uma rampa chamava a atenção dos visitantes da Agrishow, a feira de máquinas, implementos e tecnologia que vai até sexta-feira, 04, em Ribeirão Preto/SP. Trata-se da versão nova do veículo movido a biometano, tecnologia iniciada em 2013 pela área de Inovação da New Holland, empresa do grupo CNH Industrial.

O projeto arrojado do veículo-conceito leva o motor FTP Industrial, com 180 cavalos de potência e que promete 30% redução de custos com combustível em relação à versão tradicional, a diesel. O novo trator tem capacidade para armazenar 300 litros de metano comprimido. A transmissão é New Holand e sua motorização NEF, de 6 cilindros, apresenta 740 Nm de torque, garantindo desempenho equivalente ao modelo movido a diesel, assegura o fabricante.

Há um ano e meio o trator tem sido testado em lavouras brasileiras e a estimativa é que o lançamento comercial ocorra em três anos, ou seja, 2021, adianta Nilson Righi, gerente de Desenvolvimento de Produto da New Holland.

O preço do veículo ainda não dá para ser informado, mas Righi adianta que, em função dos custos de produção e investimentos para o seu desenvolvimento, ele deva custar inicialmente cerca de 15% a mais do que o movido a diesel, diferença que será compensada no dia a dia, com a economia de combustível. Além do fato de o produtor ficar livre das variações de preços do petróleo e ainda usar uma energia limpa, com 80% de redução de poluentes, 99% de redução de materiais particulados e 10% menos de CO2, em comparação com o motor a diesel.

Auto suficiência energética

A vantagem econômica pode ser maior se for adotado um modelo de propriedade, batizado pela New Holland de Fazenda Independente de Energia, com um biogestor e uma refinaria nela instalados, para que ela produza a energia que precisa para realizar suas operações, como o abastecimento da frota e a secagem dos grãos, aquecer instalações agrícolas, iluminar e fazer seus equipamentos funcionarem.

Righi: " xxxxxxx"

Righi: “Vantagem econômica e ambiental do biometano em relação ao diesel”

O modelo é ideal, por exemplo, para suinocultores, em que o dejeto dos animais alimenta o biogestor. “Além de zerar seus gastos com energia elétrica, o produtor ainda pode injetar energia na rede pública, transformando um passivo ruim em ativo energético”, diz Righi.

O problema é a falta de políticas públicas para incentivar a produção, o refino e o abastecimento do metano, hoje só possível em escala industrial, o que encarece o processo. A New Holand acompanha o desenvolvimento do RenovaBio, programa federal de incentivo a energias limpas, e programas estaduais para produção do gás metano. “Imaginamos que o desenvolvimento das duas coisas – trator e energia – possam caminhar juntos”, afirma o executivo.

Para oferecer uma alternativa, a empresa apresenta em seu estande na feira de Ribeirão Preto uma usina de produção e refino do gás a valores mais acessíveis, por volta de R$ 10 mil. “Essa rede de produção de gás apresenta potencial para se consolidar, o que nos motiva”, diz Righi.

A preocupação com a sustentabilidade pela empresa não se limita à escolha do combustível: os materiais usados na cabine do novo trator são recicláveis e o piso, de madeira.”Não temos apenas o discurso da sustentabilidade. A aplicamos de fato”, assegura o executivo da New Holland.

Os comentários estão encerrados.