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Tomate – mercado, perspectivas e tendências

Seminário realizado em Campinas/SP reuniu representantes da cadeia para debater problemas, desafios e inovações do setor

Produtores, pesquisadores e especialistas reuniram-se nesta quarta-feira (19), em Campinas/SP, para discutir perspectivas, tendências e tecnologias para a cultura do tomate. O seminário, promovido pela Yara Fertilizantes, foi dividido em duas partes – uma com enfoque em mercado e a outra mais técnica, com foco em nutrição. “A cultura do tomate, dentro das HFs, é a mais importante pra nós por ser uma cultura que exige além de produtividade, qualidade. E por isso, precisamos ter um ajuste muito fino da nutrição com a produção do tomateiro para que tenhamos uma coloração melhor, um tamanho maior, uma vida de pós-colheita melhor e, consequentemente, uma melhor remuneração para o produtor. É uma cultura que exige que o produtor tenha muito mais conhecimento a respeito da fisiologia da planta e da nutrição”, disse Etore Ragonha, coordenador agronômico da Yara.
João Paulo Deleo, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/Esalq-USP), falou sobre as expectativas para o mercado ainda em 2018 e para 2019. “Em relação ao ano passado, em que não tivemos preços bons, 2018 será um pouco melhor”, disse. “Claro que precisaremos ficar atentos a alguns aspectos como condições climáticas e a oferta para o mercado”, alertou.
De acordo com o Deleo, mesmo com redução de área produtiva total da cultura em 2018 (-11,4%), a produtividade não foi afetada. “Se a produtividade se mantiver ou for mais alta, os preços devem se manter ou caírem. Se houver também recuo em produtividade, os preços serão maiores. O rendimento no campo é quem vai decidir”, completou.
Deleo falou também de perspectivas positivas para o mercado em 2019. “Manejo e gestão econômica e financeira são fundamentais para a sobrevivência do negócio em anos ruins e nos bons também, claro”.
Tendências
“O setor de tomate não é organizado”. Foi assim que Marcelo Pacotte, da ABCSEM, iniciou sua participação no evento. Trazendo informações relativas às principais tendências no segmento como variedades com alta performance produtiva com pacote de resistências mais robustos; diversificação de produtos; opções de porte que se adequem às porções demandadas; produtos voltados para o mercado de higienizados e processados e produtos voltados ao mercado de orgânicos, Pacotte trouxe um número que chamou atenção dos participantes. “Hortifruti movimenta em torno de US$ 66 bilhões ao ano.  Sabe quanto desse montante representa a cultura do tomate? Só US$ 1 bilhão. Quem está ganhando com isso? O varejo. Por isso reforço que vocês precisam se organizar”, concluiu.
“Os preços para o produtor rural ainda estão baixos e ainda houve alta de preços para os insumos porque os produtos são todos dolarizados. Então, por esse motivo houve diminuição de área e, consequentemente, de uso de insumos. Hoje só quem está capitalizado e produzindo bem consegue manter a mesma área. Mas o preço o desmotiva”, explica Fellipe Mendes, gerente comercial da Cia. do Produtor, empresa com atuação na venda de insumos no Rio de Janeiro. “Observamos que os produtores que estão melhores estruturados e capitalizados no mercado de tomate são aqueles que plantam e conseguem vender direto ao supermercado, sem atravessadores”, disse.
Para Clausmir Pan, grande produtor (55 ha) na região de Mogi Guaçu/SP, este foi um ano difícil para todos. “2018 foi um ano de altas produtividades, mas de preços baixos. Só sobreviveu no ramo quem conseguiu se sobressair”, disse. Com uma produtividade que chegou a atingir 652 caixas por 1000 pés, Pan reconhece que seu resultado está à margem da maioria. “Realmente estou fora da curva e isso me garantiu um pequeno lucro. Creio também que esses altos índices de produtividade se devem também ao clima favorável – seco com temperatura baixa à noite e mais altas durante o dia”, completou.
Pâmela Carla dos Santos, pequena produtora (5 ha) em Jacutinga/MG também pode observar a influência da alta produtividade em sua lavoura. “Isso, de fato, é algo real. Quando comecei a trabalhar com tomate há cinco anos, obtinha 200 caixas por 1000 pés; hoje consigo 530”, conta.  Outra questão ressaltada por Pâmela foi em relação ao preço final do tomate ao consumidor. “As pessoas sempre acham que o tomate tá caro; que nós estamos ricos. Mas, o que eles não sabem é que o que fica pra nós, produtores é menos da metade. Se o Kg está R$ 4, o que fica pra gente é R$ 1,80”, finaliza.
foto – Adriano Kiuhara/Pulsar Imagens