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“Temos muito o que dizer, mas nos falta organização”

Isso é o que diz Marcos Jank, vice-presidente de assuntos corporativos da BRF Foods na Ásia, a respeito dos desafios da inserção do Brasil no agronegócio mundial
palestra_JankCom o propósito de discutir os desafios da inserção do Brasil no Agronegócio mundial, o Centro de Conhecimento em Agronegócios, Pensa USP, reuniu na manhã desta quinta-feira (23) especialistas, representantes de entidades, professores, profissionais e estudantes para ouvir a experiência de Marcos Sawaya Jank, vice-presidente de assuntos corporativos e desenvolvimento de negócios da BRF na Ásia-Pacífico, no mercado asiático.
Há um ano e meio em Cingapura para o processo de expansão da BRF Foods na Ásia, Jank iniciou sua palestra mostrando números em relação à região e ao consumo de carnes, lácteos e açúcar do continente. “51% da população mundial encontra-se na Ásia. A área responde por 19% do PIB mundial; 18% da terra disponível; 23% da água renovável. Em contrapartida, o consumo de carnes (28% carne de aves e 20% carne bovina) lá está abaixo da média global”, apontou. “Para quem vende comida, está aí uma oportunidade, de exportação e de investimento”, acrescentou.
Falando sobre as diferenças de desenvolvimento da cadeia da carne no mundo que passam, segundo o executivo, por fases como segurança alimentar; segurança do alimento; valor agregado e novas demandas, Jank observou que nesta escala, o uso de tecnologia aumenta para depois reduzir, atendendo, por exemplo, às exigências do mercado europeu de carnes sem antibiótico e/ou transgênicos. “Quando falamos em novas demandas, identificamos um consumidor muito mais preocupado com a qualidade do que com o preço”, disse.
Para Jank, o maior desafio global neste setor é conseguir que segurança alimentar, alimentos seguros e de qualidade, baixa inflação e sustentabilidade interajam e se integrem. “Os países não integram suas cadeias de valor”, disse. Como exemplo de uma cadeia de valor totalmente unificada e internacionalizada, o palestrante falou sobre o iPhone, da Apple.
“O caso da soja é um sucesso no Brasil, mas que nos obriga a pensar além dela, porque temos uma estrutura de baixa eficiência de exportação”, disse. “Numa cadeia de valor, que se comporta de maneira vertical (grãos-ração-produtores-processamento-distribuição-varejo), ainda não somos capazes de integrá-la de maneira global. A Austrália dá um banho no Brasil porque mostra para o seu consumidor todo o processo de rastreabilidade da carne. E não fazemos isso, não é porque não existe, mas porque não comunicamos”, disse.
“Temos muito o que dizer, mas nos falta organização. A sanidade é um exemplo de uma área com um papel setorial em desenvolvimento e um nacional que não existe. Temos de pensar num processo de comunicação muito mais estruturado, mais amplo. Países muito menores do que Brasil fazem isso”, concluiu.