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Tecnologia automotiva – o que está por vir

Por que o motor elétrico ainda é uma realidade distante para o Brasil

Para falar sobre tendências em tecnologia automotiva, a 18ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol reuniu na tarde de segunda-feira (29), em São Paulo, alguns representantes da indústria para debater o que está por vir  e como o Brasil se prepara para recebê-las. “Este é um tema recorrente, mas que às vezes é divulgado com muita desinformação em relação à crise brasileira para o uso do etanol”, disse o jornalista Fernando Calmon, mediador da mesa. “É preciso ressaltar que o Brasil tem um sistema diferente do resto do mundo. Fomos o primeiro país a fazer um programa especial dedicado à produção de álcool, que tem sim seus altos e baixos, mas tudo indicando que melhorará. Além da redução da emissão de CO² por conta do etanol que, com o RenovaBio acelererá ainda mais a produção e, consequentemente, a inserção de veículos flex no mercado”, completou.

“Temos um cenário um pouco conservador e também um pouco progressista. Acredito que veículos de combustão interna terão grande importância, como já vemos nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e na Coreia, com o avanço dessa tecnologia”, disse Besaliel Botelho, CEO da Robert Bosch do Brasil. “Teremos vários tipos de motores e de aplicabilidade e isso vai variar de acordo com a legislação de cada lugar para a redução de emissão de CO²”, acredita.

Em relação à tecnologia de motores elétricos, Botelho diz que esta realidade ainda está distante do Brasil. “Aqui temos um fator extra de muita importância, que é o etanol, que contribui significativamente para a redução de CO² e deve estimular a produção de veículos de motor híbrido e preparar o País para o elétrico, que hoje já tem uma eficiência 60% superior ao convencional”, disse.

Alinhado a Botelho a respeito da valorização do etanol , Ricardo Simões de Abreu, diretor da Mahle Metal Leve, perguntou aos presentes – “por que é tão importante que exploremos mais os biocombustíveis? Temos aqui uma jabuticaba que causa inveja nos outros países”, disse. “Temos dois grandes programas governamentais – o Rota2030, para redução de consumo energético e o RenovaBio, para valorização de biocombustível com trabalho de pegada de carbono, ambos trabalham para redução total de emissão de gases de efeito estufa. Em outros países, o problema é enxergado somente para o escape dos veículos”, conta.

“A eletrificação é mais eficiente? Sim, mas precisa vir de uma forma vantajosa para todos. Esta introdução precisa ser muito inteligente.  Antes dela, acredito muito mais na bioeletrificação. Vai ganhar muito mais quem conseguir fazer um motor eficiente para o etanol, neste momento”, aposta Abreu. “Temos oportunidades únicas porque temos soluções únicas. A bioeletrificação pode ser uma alternativa muito econômica para o uso de veículos de transporte público, por exemplo. A substituição do diesel deveria ser a primeira proposta a ser pensada na política de matriz energética”, completa.

foto – Ismar Ingber /Pulsar Imagens