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Sustentabilidade ambiental deve ser fator de aumento de produção e diferencial do agro brasileiro

A adoção de práticas sustentáveis e a intensificação da produção devem levar ao aumento da rentabilidade das propriedades. Legislação trabalhista e crédito rural devem se adequar ao moderno campo brasileiro.

Sustentabilidade

Aprovado no final de 2012 após muitas discussões e polêmica, o Código Florestal deixou de ser visto como um “bicho-papão” pelo setor rural e deve – segundo os especialistas reunidos no 14o Congresso Brasileiro do Agronegócio, nesta 2a e 3a feiras (03 e 04), em São Paulo – ser um ativo e insumo de produtividade no campo brasileiro. Especialmente em ano de COP-21, a reunião sobre o clima que vai ser realizada em Paris em dezembro.

“É preciso parar de achar que o Código Florestal é ruim, um passivo”, afirmou o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, em sua palestra no evento, intitulada Sustentar é Integrar”. Para Lopes, chegar à COP-21 com uma pecuária intensificada, que contribui para neutralizar as emissões de carbono do país é bastante positivo para os nossos produtos e a imagem da nossa agropecuária.

O presidente da Embrapa ainda saudou a indústria sucroalcooleira paulista, “reconhecida como competente no mundo inteiro” e que, além da produção do biocombustível há décadas, usa a biomassa da cana para produzir energia, eletricidade, no futuro, plásticos e têxteis. Ou seja, há oportunidades para a nossa pesquisa e o nosso agronegócio continuar se destacando mundialmente.

Paulo Hermann, presidente da John Deere no Brasil, também concorda que a intensificação sustentável é a saída para a nossa produção agrícola e aposta na Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta. O importante é que se otimizem os recursos ativos da propriedade”, ensina.

Para Rodrigo Lima, do AgroÍcone, a regularização ambiental é a oportunidade concreta que o Brasil tem “para agregar práticas sustentáveis e aumentar a produção”. De acordo com os cálculos da entidade que dirige, pelo menos 13,6 milhões de hectares de áreas “produtivas” serão destinadas à conservação para atender à legislação. Assim, a profissionalização e a intensificação serão a única alternativa para os produtores se manterem no negócio. O que pode ser bom para todos.

SustentabilidadePaulo Hermann, da John Deere, defende o sistema de integração Lavoura-Pecuária-Floresta.

Leis trabalhistas e crédito mais modernos

Se a necessidade de intensificação dos recursos da propriedade foi consenso, a modernização das nossas leis trabalhistas no campo e a criação de novos mecanismos de crédito rural também foram.

“Ficou claro, nas várias palestras e debates aqui realizados, a necessidade de termos uma legislação trabalhista mais atualizada e adaptada às reais necessidades do setor. Da mesma forma, temos que desenhar um modelo de crédito rural diferente do que foi instituído há 50 anos, quando tínhamos outra realidade produtiva no país”, afirmou Luiza Carlos Corrêa de Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag,), organizadora do evento.

Hermann, da John Deere, chegou a sugerir a criação de banco de horas e de outras estruturas mais modernas, além de investir no desenvolvimento de funcionários com múltiplas aptidões. E capacitá-los para operar as cada vez mais modernas máquinas que chegam ao campo brasileiro, alertou Pedro Bastos de Oliveira, da Jacto e presidente da Câmara de Máquinas da Abimaq.