Araçatuba recebe Encontro Técnico sobre soja e milho
22 de junho de 2018
O encontro entre Donald Trump e Kim Jong-Un: da guerra de palavras à diplomacia
26 de junho de 2018

Segunda safra de milho sofre quebra de 19%

Ernesto Reghram/Pulsar

Trator abastece plantadeira com sementes de milho safrinha no Paraná

Dados são da Agroconsult, que percorreu a área responsável por 80% da produção nacional para a 15ª edição do Rally da Safra. Redução de área e de tecnologia e seca, entre os responsáveis pela queda 

Ernesto Reghram/Pulsar
Trator abastece plantadeira com sementes de milho safrinha no Paraná

A produção de milho segunda safra 2018 deve sofrer uma redução de 19% em relação ao ano anterior e totalizar um volume em torno de 55 milhões de toneladas. Os dados são da Agroconsult, consultoria responsável pela realização do Rally da Safra, que neste ano percorreu 75% da área total plantada ou 80% da produção nacional, no período de 14 de maio a 8 de junho, passando pelos estados de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná.

Segundo a consultoria, quatro fatores foram responsáveis pela quebra. “As principais causas foram redução de área (-3%), atraso no plantio, redução do uso de tecnologia e a seca que atingiu os estados de Goiás e do Paraná por mais de 40 dias”, disse André Pessoa, sócio-diretor da Agroconsult e coordenador da expedição. “A quebra só não foi maior pelo desempenho dos estados de Goiás e de Mato Grosso, o primeiro com bom desenvolvimento das lavouras e o segundo com uma produção de bom enchimento de grãos”, completou.

Apesar de terem apresentado produtividade inferior à safra passada, Goiás e Mato Grosso conseguiram plantar dentro do período considerado ideal. Mato Grosso alcançou uma produtividade de 99 sacos/hectare e Goiás, 88 sacos/hectare. “Tivemos resultados dentro da expectativa que se tinha”, disse Pessoa.

Já no Mato Grosso do Sul, o plantio ocorreu fora da janela ideal, se estendendo até abril. “Além disso, a seca prejudicou o desenvolvimento da lavoura. Houve também redução no nível de investimento das lavouras e o produtor sofreu com um severo ataque de lagartas (cartucho e da espiga). A produtividade ficou em 63,5 sacos/hectare”, informou. “Abaixo de 70 sacos é uma lavoura muito ruim para essa região”, disse.

No Paraná, o atraso no plantio e na colheita da soja comprometeu o calendário do milho 2ª safra. “Muitos produtores acabaram migrando para o trigo e, com isso, houve uma redução significativa de área para o milho. Além de ter sofrido com a seca, o vento também causou prejuízos na região”, contou Pessoa. “Ainda não dá pra mensurar o tamanho desse prejuízo. Como é um estado de áreas pequenas, algumas ainda podem ser colhidas à mão, outras o estrago foi tão grande, que nem isso”, disse. A produtividade do estado ficou em 66 sacos/hectare.

De acordo com a Agroconsult, a produtividade média nacional foi de 78,9 sacos/hectare contra 94 sacos/hectare do ano passado. “Em relação à exportação, mantemos o volume de 28 milhões de toneladas, o que é bastante significativo. Isso em vista da venda antecipada desta e da próxima safra. Os estoques devem sofrer uma redução de 3,5 milhões de toneladas“, explicou Pessoa.

A 15ª edição do Rally percorreu 1515 lavouras e alcançou 3.310 produtores.

Foto maior: Ernesto Reghram/Pulsar Imagens