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Seca antecipada desperta alerta para incêndios

Gerson Gerloff/Pulsar Imagens

Queimada em Corumbá/MS. Incêndios em 2017

Abril já foi muito seco e a falta de chuvas preocupa, no campo e nas cidades. Empresa do setor sucroenergético inicia campanha preventiva contra incêndios, que foram recorde em 2017

Gerson Gerloff/Pulsar Imagens

Queimada em Corumbá/MS. 2017 teve recorde de queimadas e o Cerrado foi o bioma mais afetado

O clima seco que caracterizou abril e se estende em maio, na cidade de São Paulo, é sentido por seus habitantes na garganta que pega, no nariz e olhos, que ardem, e na pele seca. Além da poluição e, consequentemente, na piora da qualidade do ar, abril de 2018 terminou como o terceiro mais seco na capital paulista desde 1961, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia.

No campo, a falta de chuva, prejudicial ao desenvolvimento das lavouras, desperta também um outro alerta – a incidência de incêndios, que costuma ser mais forte no período que vai de maio a setembro. Para se ter uma ideia do quão preocupante é isso, 2017 teve número recorde de queimadas desde 1999, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) iniciou sua série histórica. Foram cerca de 272 mil focos de fogo no País, 46% a mais do que o número registrado no ano anterior.

Segundo dados do Inpe, o aumento de queimadas foi maior em áreas de floresta natural. Ao todo, 986 mil hectares (ha) de unidades de conservação foram destruídos pelo fogo. O Cerrado foi o bioma que mais sofreu.

Incêndios criminosos também atingiram parques nacionais importantes no ano passado. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o da Chapada dos Veadeiros/GO (ocorrido em outubro) devastou cerca de 15% da área total do parque, o equivalente a 35 mil ha, e o da Serra da Canastra/MG (em setembro) destruiu 32 mil ha.

Fogo pelo mundo

Não foi só aqui no Brasil que as queimadas atingiram números alarmantes, no ano passado. Em Portugal, os incêndios florestais foram responsáveis pela morte de mais de 100 pessoas e pela destruição de 316 mil ha de florestas, o que iniciou uma série de discussões sobre o manejo delas e as espécies que devem ser escolhidas para sua recomposição.

Não muito longe dali, em Galícia, na Espanha, os mais de 100 incêndios florestais destruíram 35 mil ha e na Califórnia, nos Estados Unidos, o fogo devastou uma área de mais de 85 mil ha.

Campanha preventiva

“Só no ano passado, tivemos um prejuízo de cerca de R$ 5 milhões. Isso sem calcular as consequências indiretas causadas pelos incêndios”, conta Edilberto Bannwart, diretor de Sustentabilidade da Tereos, empresa do setor sucroenergético.

“Desde 2014, paramos com a queima da cana, ou seja, 100% da colheita de cana-de-açúcar em nossas unidades é mecanizada e, ainda assim, sofremos com isso”, diz. De acordo com Bannwart, dois são os motivos: “primeiro, o clima seco e o segundo, fator humano; a maioria não intencional”. “O impacto atinge a todos – cadeia produtiva, população e meio ambiente”, completa o executivo.

Pensando em como minimizar, prevenir e combater incêndios na região em que atua, a empresa inicia nesta semana uma campanha que pretende mobilizar a população na prevenção de incêndios e na comunicação rápida com os bombeiros em ocorrências. Com o mote “Incêndios – sua ação pode mudar esse cenário”, a ação envolve placas, outdoors em beira de estrada e o adesivamento de caminhões. “Queremos sensibilizar o público em geral para o problema. Atuaremos também em rádios regionais e nas redes sociais”, informa Bannwart.

Além do trabalho educativo, a Tereos também investiu R$ 1 milhão na implementação de um sistema de 13 satélites para o monitoramento de seus canaviais. “Antes desta tecnologia, chegávamos a demorar cerca de duas horas para detectar um incêndio; agora em 30 minutos somos capazes de identificar os focos”, finaliza.

Foto: Gerson Gerloff/Pulsar Imagens