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Safra de soja 2018/19 deve recuar 3,3%

Adriano Kirihara/Pulsar Imagens

Expedição Rally da Safra estima produção de 118 milhões de toneladas. Clima desfavorável é explicação para queda 

Adriano Kirihara/Pulsar Imagens

O Brasil registrou uma safra de soja de extremos, com diferenças acentuadas entre as regiões com plantio precoce – afetadas severamente pela variação climática – e outras com plantio mais tardio, que apresentaram melhores resultados. Diante deste cenário, a produção de soja no ciclo 2018/19 deve atingir 118 milhões de toneladas, queda de 3,3% na comparação com a temporada anterior. O diagnóstico é do Rally da Safra, expedição organizada pela consultoria Agroconsult, que percorreu os principais polos agrícolas do País entre janeiro e março.

“Esta safra começou com plantio muito bem executado, em condições adequadas para implantação e em prazo recorde. Mas depois o clima impactou diretamente algumas lavouras mais precoces”, explica o coordenador geral do Rally da Safra, André Pessôa, sócio diretor da Agroconsult.

De forma geral, essa foi a dinâmica da safra: algumas regiões apresentaram excesso de chuvas e dias nublados em novembro, seguidos de período de forte elevação da temperatura e escassez de chuvas em dezembro e parte de janeiro. Essa variação fez com que as lavouras de ciclo precoce plantadas na segunda quinzena de setembro e primeira quinzena de outubro, tivessem seu potencial produtivo reduzido.

A seca em dezembro e janeiro se refletiu em dois aspectos importantes: o encurtamento do ciclo das culturas e a redução do peso médio de grãos, impactando lavouras no sul do Mato Grosso do Sul, Oeste do Paraná, Sul de Goiás e São Paulo. Já as regiões de implantação de lavouras mais tardias não tiveram maiores dificuldades com clima, garantindo melhor desempenho, como os Estados do Nordeste, além de Santa Catarina e Rio Grande do Sul – que vai colher a melhor safra da sua história.

O desempenho também foi satisfatório no Matopiba [intersecção territorial do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia] mesmo sendo inferior ao do ano passado. “São as regiões que visitamos por último e apresentaram situação melhor que esperávamos”, complementa.

Em campo, os técnicos do Rally da Safra 2019 observaram aumento no número de plantas por hectare, como reflexo da ótima implantação das lavouras. “Embora os grãos tivessem menos peso, os números de plantas e de grãos foram maiores, ajudando a atenuar as perdas, de maneira geral”, comenta. Outro aspecto generalizado, detectado pelas equipes nos últimos anos, manteve-se nesta safra: o investimento em melhoria de perfil de solo e do manejo da palhada no plantio direto. Houve ainda um bom manejo de pragas e doenças, garantindo melhor controle em lavouras e evitando maiores perdas.

Revisão

A Agroconsult fez uma revisão completa dos números de produção e produtividade desde a safra 2014/15. Dados oficiais apontaram um volume de 83,4 milhões de toneladas referentes à exportação de soja no ano passado, mostrando inconsistência no balanço de oferta e demanda. Diante disso, os técnicos da Agroconsult revisaram a base estatística pelo lado da oferta.

“Tínhamos evidência dos rallies anteriores que os números poderiam ter sido maiores, especialmente os de 2016 e 2018. Revisamos então os critérios metodológicos e, usando os mesmos dados de campo coletados no Rally, elevamos os números de todas as safras a partir de 2014/15. Com isso, temos uma produção acumulada de 7,5 milhões de toneladas a mais do que indicavam os números oficiais”, esclarece.

Com esse quadro, a produtividade da safra 2018/19 será menor que a safra passada, atingindo 54,6 sacos por hectare, contra uma média de 57,9 sacos por hectare em 2017/18. A área plantada, antes estimada em 36,2 milhões de hectares, agora está em 36,04 milhões de hectares. “Com isso, nossa projeção atinge 118 milhões de toneladas, contra os dados pré Rally de 117,3 milhões de toneladas (de janeiro) e os do ano passado, já revisados, de 122 milhões de toneladas.

Foto: Adriano Kirihara/Pulsar Imagens.