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Safra de laranja 2018/19 cai no cinturão de SP e MG

Sergio Ranalli/Pulsar Imagens

Trabalhador rural em colheita em pomar de laranja Local: Bebedouro SP Brasil Data: 201806 Código: 06SR394 Autor: Sergio Ranalli

Produção, de 286 milhões de caixas de 40,8 kg, é 28,2% menor do que a do ciclo 2017/18. Clima é razão da queda, informa Fundecitrus

Redação*

Sergio Ranalli/Pulsar Imagens

Colheita em pomar de laranja em Bebedouro/SP, região tradicional da fruta. Foto: Sergio Ranalli/Pulsar Imagens

A safra de laranja 2018/19 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro se encerrou em 285,98 milhões de caixas de 40,8 kg cada, segundo o fechamento divulgado pelo Fundecitrus – Fundo de Defesa da Citricultura na quarta-feira, 10. O número é 28,2% menor do que a produção do ciclo anterior (2017/18), que foi de 398,35 milhões de caixas, e 11,6% inferior à média das safras dos últimos dez anos. A produção foi ainda 0,8% menor do que a projeção inicial, de 288,29 milhões de caixas, realizada em maio/2018. Do total, cerca de 16,02 milhões de caixas foram produzidas no Triângulo Mineiro.

Entre as variedades, foram produzidas 50,70 milhões de caixas de Hamlin, Westin e Rubi; 14,66 milhões de caixas de Valência Americana, Seleta e Pineapple; 79,12 milhões de caixas de Pera Rio; 107,91 milhões de caixas de Valência e Valência Folha Murcha; e 33,59 milhões de caixas de Natal.

Chuva e temperatura 

“Nesta temporada, as condições climáticas adversas observadas no cinturão citrícola, com exceção da região Sudoeste, refletiram no menor rendimento dos pomares. A atuação irregular do clima na safra teve início ainda em 2017 com o atraso das chuvas da primavera, o que acarretou no florescimento mais tardio das laranjeiras. No período pós-florescimento, as altas temperaturas prejudicaram o pegamento dos frutos, o que culminou na redução do número de laranjas produzidas por árvore”, explicou o Fundecitrus, em nota. A entidade faz a Pesquisa de Estimativa de Safra  em cooperação da Markestrat, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP/USP) e Departamento de Ciências Exatas da FCAV/Unesp, Campus Jaboticabal.

Na fase de enchimento e colheita das laranjas, isto é, de maio/2018 a março/2019, a precipitação acumulada no cinturão citrícola, de acordo com dados da Somar Meteorologia, ficou 3% abaixo da média histórica (1981-2010), com volume de 1.295 milímetros. Os meses de maio/2018 a julho/2018 foram mais secos do que o esperado, com precipitação bem abaixo da média. Com essa diminuição das chuvas, os frutos não atingiram o tamanho médio projetado em maio/2018, de 256 frutos por caixa (159 gramas por fruto). Foram necessários três frutos a mais do que o projetado para compor uma caixa de 40,8 kg.

A taxa de queda de frutos média do cinturão citrícola acumulada desde o início da temporada até a colheita ficou em 16,70%. A taxa é composta pelas seguintes causas: 5,16% por queda natural, atividades mecanizadas ou condições climáticas adversas; 5,70% por bicho furão e moscas das frutas; 2,70% por greening; 2,02% por pinta preta; 0,82% por leprose; e 0,30% por cancro cítrico. Os maiores prejuízos por queda nesta safra foram causados pelo bicho furão e moscas das frutas, cuja taxa mais que dobrou em relação à safra anterior (2,70%).

A queda na produção brasileira já era prevista e não teve reflexos nas cotações do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ), cujo maior produtor é o Brasil, na Bolsa de Nova York. Os contratos futuros acumulam queda de quase 20% nos últimos 12 meses, em função da recuperação da produção na Flórida. Além disso, a demanda mundial por suco de laranja está em queda há anos, especialmente nos mercados norte-americano e europeu.

*com informações da assessoria do Fundecitrus.