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Recompensas para o futuro

Por Rosenildo Ferreira para COALIZÃO VERDE (1 Papo Reto, CenárioAgro e Neo Mondo)

A Casa SO+MA, projeto de milhagem voltado à baixa renda, ganha nova unidade em São Paulo

Os programas de recompensa, em geral, estão ligados a bens e serviços que resultam num prazer imediato: passagens aéreas, aquisição de eletrodomésticos ou ingressos para espetáculos. Apesar de cumprirem a importante função de ajudar a fazer a roda da economia girar, os benefícios acabam não rendendo dividendos de médio e longo prazos. Mas existem exceções. Uma delas é o SO+MA Vantagens, o primeiro programa de milhagem pensado e destinado às classes D e E, que conta com o apoio de empresas privadas como o Grupo Heineken Brasil, cujo portfólio inclui as marcas de bebidas herdadas da Brasil Kirin. 

Na quarta-feira (31/10/18), foi inaugurada uma filial da Casa SO+MA em Cidade Tiradentes, bairro da Zona Leste Sul de SP. Trata-se da segunda unidade de um projeto que foi concebido, em 2015, pela startup de impacto social SOMA. Agora, os 211,5 mil moradores desta área icônica da cidade poderão trocar embalagens recicláveis por pontos resgatáveis em produtos alimentícios ou descontos em cursos profissionalizantes (programação, gastronomia e beleza, por exemplo) ou de idiomas. “O nosso objetivo é contribuir para uma transformação de longo prazo e sustentável, na vida das pessoas”, explica Ornella Vilardo, gerente sênior de Sustentabilidade do Grupo Heineken Brasil. 

O programa funciona da seguinte forma: o primeiro passo é o cadastro. A partir daí, cada item entregue (que pode ser latas de alumínio, embalagens de papelão ou garrafas de vidro) vai gerando pontos que são acumulados numa espécie de conta corrente. O resgate se dá a partir de uma lista de produtos e serviços: 10 mil pontos rendem a inscrição num curso de manicure. 

Desde seu início, em 2017, no bairro do Capão Redondo, na Zona Sul, o programa já permitiu o recolhimento e a destinação correta de 92 toneladas de resíduos, encaminhados para cooperativas que atuam na região. Esse processo beneficiou 1,2 mil famílias. Outro dividendo do projeto é ganho de eficiência das cooperativas, que chega a 30%. O montante se refere à produtividade advinda do recebimento de material já classificado e separado, evitando sua passagem pela esteira de separação. 

De acordo com a executiva, a ideia é levar a Casa SO+MA para outras cidades de todo o Brasil. O ritmo da expansão, no entanto, depende de inúmeras variáveis que vão além da vontade e dos recursos disponíveis no caixa da fabricante de bebidas. Isso porque, para instalar os contêineres onde são armazenados os resíduos, é necessária a autorização do poder público. 

O projeto está inserido dentro do pilar de redução das emissões de dióxido de carbono dentro da cadeia de atuação da gigante holandesa de bebidas. Apesar de provocar um impacto limitado, sua importância e capacidade de escala podem ser medidos a partir de alguns números: o Brasil, são produzidos cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos por ano. Deste montante, menos de 5% vão para a reciclagem.