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Produtores de leite em MG produziram cinco vezes mais que a média nacional

Levantamento é da Embrapa Pecuária Sudeste; pesquisa foi feita com pecuaristas participantes do Programa Balde Cheio

vacas_Balde CheioUma pesquisa realizada pela Embrapa Pecuária Sudeste em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (FAEMG) revelou que produtores participantes do Programa Balde Cheio em Minas Gerais produziram em 2016 cinco vezes mais leite do que a média nacional. De acordo com o relatório, a produção diária de leite de uma propriedade assistida pelo Balde Cheio foi de 391 litros, enquanto a média nacional foi de 72 litros por dia.

Com 18 anos de existência, o Programa está presente em 11 estados no País e capacita técnicos de extensão rural em produção intensiva de leite, boas práticas de manejo e conhecimentos de gestão financeira a produtores de leite. “Este é um projeto de bastante sucesso, devido ao grande número de parceiros, associações, sindicatos e empresas apoiadoras. O trabalho dos técnicos tem transformado a realidade dos produtores”, diz André Novo, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sudeste.

“Estou no Programa há dez anos e vejo que, embora a assistência técnica ainda seja de difícil aceitação por parte do produtor, hoje em dia, é mais fácil convencê-lo de que a adoção de tecnologia provoca grandes mudanças em sua propriedade”, conta Pedro Torres, médico veterinário e técnico do Balde Cheio, na região de Santos Dumont/MG. “Este é um trabalho de formiguinha porque envolve quebra de paradigma, tanto no manejo quanto na gestão do negócio. E é algo que dá resultados a longo prazo, por isso a importância da assistência técnica continuada. No começo, eu tinha produtor que conseguia 30 L de leite por dia, hoje este mesmo pecuarista produz 250 L”, completa Torres.

Segundo o levantamento, em 2016, os produtores aplicaram cerca de 30% da margem bruta de lucro em melhorias para aumento da produtividade. “Dessa amostra de 288 propriedades, 70% são de pequeno produtor, o que mostra que o acesso à tecnologia é possível”, diz André Novo. “Embora tenhamos um universo bastante heterogêneo quanto ao tempo de participação no Programa, um aspecto que chama bastante atenção é o incremento na geração de renda destes pecuaristas”, explica.

Mais leite, mais renda

Em uma área de 21 hectares, no distrito de Mantiqueira, em Santos Dumont/MG, Eduardo José do Carmo (35) que sempre trabalhou na atividade junto ao seu pai, Sebastião Paulino do Carmo (67), enxergou no Balde Cheio uma oportunidade. “Conheci o programa há três anos. Pra nós, a assistência técnica foi fundamental. Antes, não tínhamos controle em relação a custos, por exemplo. Hoje, sabemos exatamente qual é. Além de conseguirmos diminuir nossos gastos, conseguimos dobrar a produção; de 300 L de leite por dia, passamos a produzir 600”, conta.

Com a mesma empolgação, César Ribeiro de Melo (32), pecuarista leiteiro em uma propriedade de 20 hectares no município de Mercês, na Zona da Mata mineira, fala sobre as transformações pelas quais passaram desde que resolveu aderir ao programa há dois anos. “A primeira mudança foi o aumento da autoestima. Tínhamos muitos problemas com a parte de reprodução das vacas, com o manejo do solo e da alimentação das vacas. Com as técnicas que nos ensinaram, diminui 25% da minha despesa e ainda consegui aumentar a produção – de 20 L, passei a fazer 220”, anima-se. “Antes, eu precisava fazer bicos para complementar a renda. Hoje, me dedico exclusivamente a isso”, finaliza.

O Programa Balde Cheio foi implementado em Minas Gerais há 11 anos. Atualmente, está presente em 330 municípios brasileiros e conta com uma equipe de 210 técnicos, que atendem aproximadamente 2,5 mil produtores de leite.