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illycafè celebra 25 anos de seu prêmio no Brasil e comemora melhoria da qualidade e das vendas

Torrefadora italiana vê vendas crescerem 15% em 2015, a despeito da crise, e organiza expansão para outras regiões. Mudanças climáticas são preocupação

Cristina Rappa“Quando lançamos a Universidade do Café, em 1999, o produto brasileiro servia para compor o blend. O Brasil tinha volume, mas não qualidade”, lembra Andrea Illy, presidente da illycafè, afirmando que o padrão do grão produzido no país melhorou bastante nos últimos anos, com a disseminação de conhecimento entre os cafeicultores locais.

O que é bom, porque o consumidor também ficou mais exigente. Inclusive o brasileiro. “Com o avanço do fornecimento de cafés de alto padrão, o mercado brasileiro começou a ter acesso a esse produto e a reconhecer a qualidade que a bebida pode oferecer”, afirmou Illy no evento “Desafios Globais do Agronegócio Café e da Cafeicultura”, realizado pelo PENSA USP , nesta 4a feira (06) em São Paulo. O executivo veio ao Brasil para a cerimônia de entrega do Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso, que reconhece os produtores que se destacam pela qualidade de sua produção durante o ano.

O investimento em qualidade deu frutos e a empresa tem crescido. Em 2015, apesar da crise, viu suas vendas aumentarem em volume e faturamento em 15% no Brasil, mesmo índice que espera registrar este ano. “Há espaço para crescer”, diz Illy, revelando que a empresa está se expandindo para outras capitais, como Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e até Manaus. Até agora, São Paulo concentrava 60% da presença da illycafè no país.

Clima e investimento em inovação

A influência do clima não é novidade na história da nossa cafeicultura, dada a incidência de geadas que, por diversas vezes, comprometeram a produção. O clima é preocupação novamente, mas por causa agora do aquecimento global, que pode alterar toda a geografia do café.

Preocupada com o fornecimento em função das mudanças climáticas, a illycafé tem investido na pesquisa do genoma do café, para melhoria dos cultivares, e orientação para os produtores se adaptarem, por meio de sombreamento das plantas, irrigação e mudança no manejo. “Quem não se adaptar, vai ter que plantar robusta”, avisa Illy, lembrando que a Colômbia tem investido em pesquisas de cultivares resistentes à ferrugem e estresse hídrico.

Cristina Rappa

Illy: ” é preciso investir em inovação”

“Temos que criar um fundo para corrigir o atraso tecnológico no Brasil”, sugeriu por sua vez o consultor Ivan Wedekin. “E regulamentação”, lembrando que a criação da Lei de Proteção de Cultivares, que completa 20 anos em abril de 2017, deu impulso ao desenvolvimento do negócio de soja no Brasil.

Presente ao evento no PENSA, o pesquisador do Centro de Café do Instituto Agronômico (IAC) Sérgio Pereira lamentou a burocracia e a falta de investimentos do governo para manter as pesquisas e o banco de germoplasma de café da instituição, que seria o maior do mundo.

Na Itália, berço da illycafè, a bebida é tão valorizada e tão presente na vida da população urbana, que a empresa é parceira da Câmara de Moda Italiana, especialmente com a sofisticada marca Pucci.