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Peste suína na China abre oportunidade para cooperativas agropecuárias

Criaçãode porcos - recem nascidos Local: Mauá da Serra PR Brasil Data: 201002 Código: 05ER067 Autor: Ernesto Reghran

Copacol (PR), por exemplo, relata alta entre 10 a 15% de pedidos dos chineses para compra de carnes suína e de frango

 Ronaldo Luiz

Criação de porcos em Mauá da Serra/PR . Foto: Ernesto Reghran/Pulsar Imagens

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, está fazendo um giro de duas semanas pela Ásia – embarcou no dia 06 de maio -, com o objetivo de ampliar as exportações do agronegócio brasileiro para os países da região. Além de autoridades, a comitiva brasileira é formada por dirigentes, empresários e executivos do agro nacional.

Principal mercado da região e o mais importante para o agro brasileiro nos últimos anos, a China vem enfrentando uma grave crise sanitária, devido à explosão de casos de peste suína africana (PSA), doença que vem dizimando o rebanho suíno local. Desde que o país registrou os primeiros casos da doença, em agosto de 2018, estima-se que o país tenha perdido cerca de 35% do rebanho.

Análises do Rabobank apontam que até 200 milhões de porcos podem ser sacrificados ou mortos por causa da PSA, impactando a produção chinesa de carne em mais de 13 milhões de toneladas. Os executivos do banco avaliam que os chineses precisarão de pelo menos cinco anos para retomar o rebanho no patamar anterior à doença. 

Como a China é o principal mercado consumidor de carne suína, este cenário tem suscitado uma série de análises, que apontam dois impactos principais para a cadeia produtiva do agronegócio em nível mundial: a tendência é que o país asiático aumente a importação de carnes – não somente suína, mas de frango e bovina também -, e, simultaneamente, diminua a aquisição de grãos para alimentar o rebanho doméstico, que terá significativo recuo.

Oportunidade

Este quadro, diz Vicente Nogueira, coordenador da Câmara Temática do Leite da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), que integra a comitiva brasileira na Ásia, abre espaço para exportadores brasileiros de carnes, como, por exemplo, as cooperativas. Em 2018, o Brasil embarcou 919 mil toneladas de carnes bovina, frango e suína para os chineses. Os produtos estão entre os cinco mais exportados do agro nacional para o país asiático.

“As cooperativas brasileiras têm feito muito bem seu dever de casa e, com todos esses fatores, é possível afirmar que elas têm condições de aproveitar o momento para ampliar sua participação no mercado asiático”, destaca Nogueira.

A realidade é que isso já está acontecendo, de acordo com Valdemir Paulino dos Santos, gerente comercial da cooperativa Copacol (PR), que transforma aves, suínos e peixes em carnes prontas. “Em função da peste suína, já verificamos uma elevação entre 10 a 15% de pedidos da China para carne de frango e suína neste início de ano”, disse Paulino na Apas Show, principal evento do setor supermercadista brasileiro, realizado na semana passada em São Paulo (SP). “Acredito que a demanda chinesa aumentará para todas as carnes.”