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Parceria quer melhorar produção e qualidade do leite de búfala no Vale do Ribeira/SP

Programa de capacitação visa aperfeiçoar terceira maior atividade econômica da região

Caracterizada como a área mais pobre do Estado mais rico do País, o Vale do Ribeira, localizado a sul do Estado de São Paulo e a leste do Paraná, encontrou na criação de bubalinos uma oportunidade de desenvolvimento. Composto por 27 municípios, o Vale, conserva a maior porção de Mata Atlântica do Brasil – 61% da vegetação remanescente. “Além de protegida por leis ambientais, o Vale é montanhoso”, explica Ricardo Elias da Silva Diniz, engenheiro agrônomo e analista do Sebrae, sobre as características naturais da região.

“A produção de leite de búfala ganhou espaço e hoje é a terceira maior atividade econômica da região, diz, ficando atrás somente da produção de palmito pupunha e da bananicultura”. “Logo no início, trabalhávamos com bovinos de leite e com uma pequena produção de queijo gouda. Com o incentivo do Governo do Estado com um programa de criação de búfalos, os produtores foram, aos poucos, enxergando oportunidade e, nós também”, conta Jorge Nakid, diretor comercial da marca de laticínios de búfala, Levitare. “Fomos aumentando nossa produção gradativamente para atender à demanda do mercado e vimos que nossa rentabilidade também melhorava”, diz Nakid.

Fundada em 2000, a empresa, situada em Sete Barras, produziu seus laticínios durante 14 anos somente com leite de fornecedores. “Há quatro anos, voltamos a produzir leite também. No total, temos 300 animais. Mas, o que garante nossa produção de laticínios é o leite de 180 fornecedores da região”, explica Nakid.

Composto em sua maioria (80%) por pequenos produtores, este grupo de criadores de bubalinos recebe da Levitare subsídio financeiro para compra de animais, instalação de tanques de expansão, ordenha mecânica etc. “Não fazemos assistência social. Somos uma empresa como outra qualquer, que visa lucro. Mas, temos responsabilidade social”, afirma o executivo, que explica que estes custos são amortizados mês a mês, de modo a não comprometer a renda do produtor. “Fomentamos isso ao produtor para que tenhamos melhor qualidade no leite e, consequentemente, no produto que oferecemos ao consumidor”.

Capacitação

Em uma parceria inédita, Levitare e Sebrae iniciaram no último mês um programa de capacitação de gestão para 20 produtores de leite de búfala da região. Com duração de cinco meses, o curso tem como principal objetivo aumentar a quantidade e melhorar a qualidade da produção de leite de búfala. “O pico de safra é agora, entre maio e julho. De outubro a dezembro, os animais secam e a produção cai 2/3, justamente na época do verão, em que os produtos de búfala são mais consumidos. Isso é um problema”, diz Nakid.

“Com o curso, queremos capacitar o produtor a ter controle de natalidade dos búfalos para que tenham uma produção linear durante todo o ano. Além disso, manejo com o pasto, gestão financeira e administrativa fazem parte deste treinamento”, explica Diniz, que coordena o curso pelo Sebrae.

“Nunca paramos para calcular qual é nosso custo de produção e este curso está nos dando isso. Acho que vou administrar melhor meu negócio a partir de agora”, diz Regis Fernando Gomes, produtor na atividade desde 2010, em Registro/SP. Com uma propriedade de 120 ha, Gomes tem uma produtividade de 150L a 180L por dia. “Tenho 89 cabeças. Desta área total, posso usar somente 20%, o restante está protegido ambientalmente”, conta.

Domingos Alves da Costa Rosa, produtor de leite de búfala há 30 anos, é também outro participante do programa. “Toda ajuda é bem-vinda. Acho que o curso vai trazer coisas boas pra gente, principalmente em relação à gestão administrativa e também do campo”, disse. Domingos tem uma propriedade de 160 ha, da qual só pode utilizar 60% da área. “Tenho 250 cabeças e produzo, em média, 300L por dia”, conta.

“Tivemos uma adesão rápida por parte dos produtores ao programa. Percebemos que estão adotando boas práticas de manejo também do solo, como o uso de outras variedades de capim, análise de solo, ações que antes não eram uma preocupação. Além disso, a troca de informações entre os próprios produtores tem sido muito importante para o fortalecimento da cadeia como um todo”, diz Ricardo Elias da Silva Diniz. “Com os encontros, eles viram a oportunidade de pensar em soluções conjuntas para problemas que são comuns a todos”, finaliza.