Jugmann recebe o Estudo de João Martins, da CNA
CNA propõe medidas para reduzir criminalidade no campo
10 de Maio de 2018
Sergio Ranalli/Pulsar
IBGE estima safra de grãos em 230 milhões de toneladas para este ano
14 de Maio de 2018

Os desafios da competitividade internacional do agronegócio brasileiro

Marcos Jank, ao centro, durante sua participação em evento organizado pelo Insper

Evento organizado pelo Insper discutiu problemas e oportunidades de negócio para o setor

Marcos Jank, ao centro, durante sua participação em evento organizado pelo Insper

Marcos Jank, ao centro, durante sua participação em evento organizado pelo Insper

“Se não houver pesquisa, vamos ficar para trás. É preciso que a relação entre a Academia, a gestão e o próprio setor se fortaleça”. Dando ênfase ao crescimento e à riqueza de modelos de negócio do agronegócio brasileiro, Marcos Lisboa, presidente do Insper, justificou a importância do evento realizado ontem (10) no Instituto, que discutiu os desafios da competitividade internacional do agronegócio brasileiro.

Para isso, foram convidados Marcos Jank, presidente da Asia-Brazil Agro Alliance (ABAA), André Pessoa, presidente da Agroconsult e Adriano Zerbini, ex diretor de Relações Institucionais da BRF. Renato Buranello, advogado da VBSO e também coordenador do curso de Direito do Agronegócio, do Insper, intermediou o debate, que apontou alguns cases de sucesso e discutiu medidas e políticas públicas, além de ações da iniciativa privada.

De acordo com estudo apresentado por Jank, o Brasil exporta sete vezes mais do que importa. “A Economia ensina desde Adam Smith que é fundamental o bem-estar líquido. Então, só vamos conseguir ter mais acesso a outros mercados quando passarmos a importar mais”, disse. Segundo ele, meia dúzia de países dominam a exportação das commodities que mais interessam ao Brasil. “Com que produtos estamos ganhando share? Açúcar, soja, milho, café, algodão e celulose”, informou.

Na sequência, o especialista mostrou que, apesar de sermos o maior exportador de carne do mundo em volume e o terceiro, em valor, a exportação desta commodity para Ásia é praticamente dominada pela Austrália. “Lembrando que esse é um país costeiro, que o centro é desértico”, disse. “Diante desse dado, o que precisamos pensar é como vendemos commodities para termos mais acesso. Claro que neste caso, a qualidade da carne australiana é fator muito importante. Lidar com uma cadeia que metade é viva e a outra metade é fria é extremamente complexo. Não estamos fazendo isso ainda de maneira correta”, completou.

Para Jank, nossos maiores desafios estão em uma reforma da estrutura regulatória do comércio; na ampliação do acesso aos mercados; em aumentar a produtividade e a competitividade e na adição de valor e da imagem dos produtos. “O que me preocupa é a agroindústria e a distribuição, o pós-porteira. Perdemos muito em processamento.”, concluiu.

“O estudo trazido hoje pelo Jank mostra de forma bem clara que temos sim aumentado a exportação de commodities, mas temos perdido share em produto de valor agregado, o que demonstra que nos falta estratégia comercial”, disse Adriano Zerbini. “Neste sentido, o que precisa ser pensado é quem são e ainda quem seriam os nossos potenciais parceiros comerciais e que tipo de relação nos interessa estabelecer com cada um deles, até para que tenhamos um equilíbrio nesta parceria”, questionou.

Para André Pessoa, há grandes diferenças dentro de uma mesma cadeia. “Em grãos, por exemplo, há um processo de consolidação permanente, já em leite, a produção está estagnada há anos porque a Economia não consegue imprimir um ritmo de produtividade e também porque as políticas públicas, nesses casos, favorecem os menos dinâmicos”, analisou.

Pessoa acredita, no entanto, que dois fatores farão com que estes produtores hoje menos dinâmicos e competitivos, sejam engolidos pelo mercado. “Primeiro, a tecnologia, bioenergética, Indústria 4.0 vão imprimir maior produtividade e segundo, a chegada do capital asiático. Nós não estamos sendo capazes de nos organizar e eles vão se aproveitar disso”, alertou. “Temos de deixar de ser comprados e aprender a vender”.

Os comentários estão encerrados.