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Oportunidades e tendências do crédito rural são discutidas em evento em SP

Financiamento do agronegócio deve ter mais alternativas e caminha para maior profissionalização com crescimento do protagonismo do agronegócio brasileiro. Integração entre as áreas jurídicas e financeira facilita a tomada de decisão e concessão de crédito

Por Regina de A. Pimentel

VBSO Mendonca de Barros

As dificuldades e oportunidades do crédito rural e da captação de investimentos, necessidade de melhor governança e compliance, dentro do cenário atual e futuro para o agronegócio brasileiro foram temas discutidos no evento “Desafios do Agronegócio – Direito e Economia”, realizado nesta 4a f, 21, pelo escritório VBSO Advogados e pela B3, que reuniu em São Paulo profissionais do setor financeiro, de mercado de capitais, jurídico e de empresas do agronegócio.

O economista José Roberto Mendonça de Barros (foto acima), da MB Associados, abriu com otimismo o evento, considerando a possibilidade de uma recuperação da economia brasileira, apesar da volatilidade dos mercados no âmbito externo esperada para este e o próximo ano, em um mundo “menos hospitaleiro para o crescimento”.

Mendonça de Barros prevê que o PIB de 2018 será maior, a inflação, menor, as taxas de juros menores e o desempenho fiscal melhor que os previstos, especialmente se o presidente eleito em fizer reformas na Previdência e fiscal e avançar nas privatizações, “o que pode levar a um aumento de investimentos em infraestrutura”.

Para o cientista político Christian Lohbauer, ex-vice-presidente de Assuntos Corporativos da Bayer do Brasil e pré-candidato ao Senado por São Paulo pelo partido Novo, as projeções de Barros dependem também de uma reforma política, começando pela renovação do Congresso e revisão imediata da Constituição, e uma redução da atuação do Estado. Para o crescimento do agronegócio, uma revisão das políticas e dos mecanismos regulatórios e de fiscalização são vitais, em sua opinião.

Lohbauer, como Barros, sustentou que a nossa posição de liderança global como produtor de alimento nos valoriza, mas alerta que “temos que aprimorar nossa diplomacia e política comercial”.

Mecanismos de crédito aprimorados

Dentro desse cenário de crescimento da economia e taxas de juros mais baixas, e com o agronegócio brasileiro assumindo um protagonismo cada vez maior, para atender à demanda crescente por alimentos de alimentos, os mecanismos de financiamento rural devem ser aprimorados, para sustentar essa expansão.

Pimentel: ....

Pimentel: falta seguro

Para o engenheiro agrônomo Fernando Lobo Pimentel, diretor da consultoria Agrosecurity, faltam elementos para análise de risco por parte dos agentes financiadores dos produtores rurais e a questão do crédito no agro pede uma abordagem multidisciplinar. Ele apresentou no painel “Crédito no Agronegócio e Sistemas Integrados de Governança e Gestão de Risco”, a plataforma Agrodocs, criada para permitir uma melhor interatividade das áreas de crédito com o jurídico, interno e externo, integrando aspectos jurídicos com metodologias de verificação de lastro de garantias, e posicionando-se como uma solução operacional completa para a gestão de documentação que pode ter interface com a solução Agrometrika, de gestão de crédito.

Ao falar de novas possibilidades e tecnologias na área de apoio ao crédito, Pimentel citou o exemplo de automação do grupo AgriRede, de Goiás: “em apenas vinte dias, com a nossa plataforma Agrometrika, promovemos o processo de automação da empresa e a integração de suas 24 distribuidoras associadas. Isso gera governança e melhora o nível de controle, acelerando o processo de análise e concessão de crédito, já que todas as distribuidoras passam a operar no mesmo padrão e em ambiente seguro”.

Falta de seguro – que estimularia os bancos a concederam mais crédito rural, modalidade que hoje é feita em sua maior parte pelas empresas de insumos – e de alternativas para financiamento rural foram questões abordadas pelo consultor, que ressaltou a necessidade da regulação do Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) que viabilize a entrada de capital estrangeiro (recursos em dólar) sem a penalização tributária sobre a variação cambial. O que beneficiaria, dessa forma, os produtores de commodities de exportação.

Segundo Bruno Luna, da Comissão de Valores Mobiliários – CVM, as operações de CRA vêm crescendo no Brasil, já tendo atingido em janeiro R$ 30 bilhões. E a regulamentação, com a criação de regras próprias para regulá-las, deve acontecer até o final deste ano. Luna citou ainda as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) como outra opção atraente para o investidor e que ajudam a financiar a agricultura.