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Melhoria da infraestrutura ainda é uma das prioridades do agronegócio

Chico Ferreira/Pulsar Imagens

Caminhões transportam grãos na BR-163, em Trairão/PA

Tema central do Congresso do Agronegócio em 2015, a infraestrutura logística, essencial para escoar a safra brasileira de produtos agropecuários e melhorar a nossa competitividade, ainda aparece entre as questões urgentes do setor

Chico Ferreira/Pulsar Imagens

Caminhões transportam grãos na BR-163, em Trairão/PA

No painel “Novo Governo e Prioridades”, realizado nesta segunda-feira, 06, no Congresso Brasileiro do Agronegócio, organizado pela ABAG e B3 em São Paulo, Murilo Parada, CEO da trading Louis Dreyfus Brasil foi taxativo: infraestrutura ainda é o maior problema. Para o executivo, é preciso criar condições para se exportar grãos, por exemplo, pelo norte do País, especialmente pelo Pará. “A BR 163 [rodovia que vai de Cuiabá a Santarém] é uma vergonha! Como o País, que é uma potência do agro, não consegue resolver isso?”.

Finalizar o asfalto da 163 é agenda de “curtíssimo prazo”, no entendimento de Parada, para quem é preciso construir um modelo de exportação pelo Norte que inclui também ferrovia. “Não dá para depender apenas das rodovias. O preços do frete às vezes é mais caro que o da produção do próprio milho”, reclamou.

A armazenagem é outro gargalo do Brasil e o problema ficou bastante evidente nas últimas safras de milho de segunda safra, quando boa parte da produção teve que ficar ao relento por falta de silos. E o problema não afeta apenas os grãos. Segundo Jacyr Costa Filho, presidente do grupo Tereós, do setor sucroelergético, “o Brasil só consegue estocar 40% da sua produção de açúcar, enquanto a China tem capacidade para estocar duas safras”.

Regras claras

A parceria público-privada é a solução para viabilizar essas obras, mas é preciso ter regras claras de regulamentação para atrair os investimentos, concordaram os debatedores do evento, como Augusto Moraes, diretor de Relações Institucionais da Corteva, empresa originada da fusão da Dow Agrosciences com a DuPont. “A regulamentação deve ser agilizada e otimizada”, declarou.

O economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Agro, afirmou em outro painel: “o que vai puxar o crescimento do Brasil é o investimento em infraestrutura”. Mas, alertou Mendonça de Barros: “os projetos de engenharia precisam ser melhor detalhados, e decentes”.  De acordo com ele, o Brasil pecou em anos anteriores no detalhamento dos projetos. “Não gastamos tempo necessário para fazer bons projetos de concepção, desenvolvimento e engenharia”, concluiu.

Foto: Chico Ferreira/Pulsar Imagens

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