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Liderança feminina é destaque em livro

Bate-papo durante evento de lançamento do livro "Mulher Alfa - liderança que inspira"

“Mulher Alfa – liderança que inspira” traz o perfil de dez mulheres que são protagonistas em suas áreas de atuação, entre elas uma produtora rural, para quem as “mulheres estão conquistando cada vez mais espaço no campo”

Bate-papo durante evento de lançamento do livro "Mulher Alfa - liderança que inspira"

Bate-papo durante evento de lançamento do livro “Mulher Alfa – liderança que inspira”

A luta pela equidade de gênero está longe de acabar. O tema, bastante reforçado no Dia Internacional das Mulheres, comemorado nesta quinta-feira (8), foi discutido em eventos realizados em função da data. “Durante algum tempo, eu até me irritava quando vinham me dar parabéns por esse dia, mas depois percebi como é importante celebrar isso. (…) Ao longo da minha trajetória profissional, me questionei ‘por que tenho de escolher entre ser mulher e empreendedora?’. Sempre vi homens muito bem-sucedidos”, disse Ana Couto, CEO da Ana Couto Branding.

Ana e outras nove mulheres foram retratadas no livro “Mulher Alfa – liderança que inspira”, de autoria de Cristiana Xavier de Brito, cujo lançamento reuniu oito das dez personagens para um bate-papo, na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, em São Paulo. “Todas são mulheres que sonham e realizam seus sonhos e, por isso, são inspiração para os que estão a sua volta. São mulheres comuns, mas com características de liderança muito fortes. Quero que este livro seja uma lanterna que ilumine os diálogos em torno do tema”, disse a autora na abertura do evento.

“Eu sou economista, por formação. Mas os caminhos da minha carreira profissional me levaram para o setor químico. Antes disso, trabalhei com finanças. Então, sempre fui a única mulher no ambiente de trabalho”, conta. “Eu enxergava essa minoria como uma grande vantagem porque eu pensava e agia diferente de todos que estavam ali; tinha um olhar único e isso me deu força”, relatou Gisela Pinheiro, vice-presidente da BASF para a América do Sul.

Muito emocionada, Patrícia Santos, fundadora da Empregueafro, falou sobre a importância do que ela chamou de ‘revolução negra’, em função do espaço que o negro vem, aos poucos, conquistando na sociedade. “Eu tive muitos sonhos nesta vida – grandes e pequenos. Sonhei em ser médica, jornalista… e meu pai me dizia: ‘Tem lugares e profissões que o negro não pode estar’. Eu queria muito que ele estivesse aqui hoje”, disse. Trabalhando na área de Recursos Humanos há mais de 18 anos, Patrícia decidiu criar a Empregueafro para ajudar jovens a passarem em processos seletivos nas empresas. “Nós precisamos mudar as estatísticas. Este é o legado que quero deixar para os meus quatro filhos”, completou.

Outra liderança feminina destacada na obra foi a promotora de Justiça Valéria Scarance. “Eu trabalho com crimes há 20 anos, com casos pesados, que envolvem PCC… mas só fiquei semMulher Alfa _livro dormir depois que comecei a trabalhar no combate à violência contra a mulher (há cerca de oito anos)”, conta. “Encabecei uma pesquisa a respeito de feminicídio há mais ou menos dois anos, que confirmou alguns dados já sabidos por todos – o de que a mulher, na maioria dos casos, é morta em casa, por seu parceiro e com golpes repetitivos. Mas, este mesmo estudo apontou uma informação importante. Dentre as mulheres que sofreram violência, as que tinham medidas protetivas contra seus maridos, não foram alvo novamente”, disse. “Isso traz esperança. Isso mostra que a mulher não deve se calar”, salientou.

“No dia a dia, me vejo como um trator”, disse Teka Vendramini, produtora rural e diretora do departamento de Pecuária da Sociedade Rural Brasileira. “Mas, num evento como o de hoje, em que me arrumei para vir, me enxergo melhor e penso: dá pra ser forte, robusta e feminina ao mesmo tempo”, disse. Para ela, as mulheres vêm conquistando cada vez mais espaço no campo. “Ainda que pra isso, tenhamos de enfrentar muito preconceito para mostrar que somos capazes”, finalizou.