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Japão é o maior usuário mundial de defensivo agrícola, mostra estudo

Pulverização aérea de defensivos agrícolas em plantação de laranja Local: Cristalina GO Brasil Data: 201903 Código: 03ADR001 Autor: Adriano Kirihara

Ao contrário de diversas notícias dizendo que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos, recente estudo feito pela Unesp de Botucatu, baseado em dados da FAO/ONU revela que, na comparação entre dólar investido em defensivo agrícola e tonelada de alimento produzido, o Japão é líder com o valor de US$ 95,40 por tonelada de alimento produzido, ficando o Brasil na 13ª posição, com um gasto de US$ 8,10 por tonelada

Redação*

 

Pulverização aérea de defensivos agrícolas em pomar de laranja. Foto: Adriano Kirihara/Pulsar Imagens.

“Estes dados jogam por terra a narrativa de que o Brasil é o maior consumidor de defensivos agrícolas do planeta”, afirmou Mário Von Zuben, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal – ANDEF  sobre os dados da FAO, em palestra proferida no Workshop para Jornalistas, organizado pela ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio em conjunto com outras entidades do agronegócio, na 3a  f, 07. 

Zuben ainda elucidou o questionamento de que o Brasil usa vários produtos que seriam proibidos na Europa. Segundo o palestrante, muitos defensivos não são utilizados pelo produtor europeu por não serem necessários, em função do inverno rigoroso naquele continente. Por outro lado, as pragas proliferam com facilidade em nosso clima tropical, além do fato de se poder cultivar até três safras por ano em algumas regiões brasileiras.  “Em relação a esse aspecto, vale lembrar que a Alemanha tem registrados, por exemplo, 21 herbicidas e 10 fungicidas utilizados na cultura do trigo e o Brasil não tem nenhum produto para trigo. Isso não nos autoriza a dizer que a Alemanha está envenenando sua produção”, afirmou o diretor executivo da Andef. Ele lembrou ainda que em Portugal, existem 26 defensivos para a cultura de oliveira e no Brasil existem apenas três, pois aqui o plantio ainda é pequeno.

Na avaliação de Zuben, é correta a atual estratégia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em acabar com a fila de defensivos esperando para serem registrados. “Nós temos de ter disponíveis novas e mais modernas moléculas para que a agricultura brasileira não fique defasada em relação aos seus principais competidores. A maioria das moléculas aprovadas é de produtos genéricos. Da lista de 32 novos ingredientes que ainda estão na fila da ANVISA, os Estados Unidos e o Canadá já aprovaram 19, a Argentina 15, a Europa 16 e o Japão 17”, informou. 

Em sua palestra na abertura do Congresso Brasileiro do Agronegócio, na 2a f, a ministra Teresa Cristina havia afirmado que “a fila dos registros [de agrotóxicos] anda rápido para trazer tecnologia e segurança; não o atraso como querem parecer alguns”. No dia seguinte, a ministra reuniu-se com jornalistas na sede do Ministério da Agricultura (MAPA), em Brasília, para tentar esclarecer essas questões e minimizar a imagem negativa sobre o número crescente das aprovações recentes (quadro abaixo).

Segundo Teresa Cristina, dos 262 produtos registrados recentemente, apenas sete são novos. Os demais seriam genéricos ou equivalentes aos já existentes no mercado. Além disso, de acordo com a ministra, o Brasil é o único país do mundo que não pode registrar produtos mais tóxicos do que os que já existem no mercado.

Dados da FAO apresentados pelo MAPA mostram que o Brasil é o nono país em uso de defensivos agrícolas por hectare cultivado, com 4,31 kg/ha, enquanto nos Países Baixos o número é de 9,38 kg/ha (segundo quadro abaixo).

Destinação de embalagens

Em seguida, Renata Nishio, gerente de Destinação Final do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpeV), relatou que o Sistema Campo Limpo, desenvolvido pelo inpEV, já deu destinação adequada para cerca de 500 mil toneladas de embalagens de defensivos agrícolas desde 2001, quando foi criado. “Temos 400 pontos de captação das embalagens e hoje já atingimos o índice de 90% das embalagens com destinação adequada, percentual bem superior ao de vários países. Canadá e Alemanha, por exemplo, estão no nível de 70%, mas esses países não têm, como o Brasil, uma regra legal determinando que o produtor devolva a embalagem vazia”, diz Renata. 

Embalagens de agrotóxicos sendo lavadas em fazenda no MS. Foto: Fernando Bueno/Pulsar

Segundo ela, hoje as embalagens vazias coletadas já são recicladas e transformadas em tubos para esgoto, dutos corrugados, artefatos para indústria automotiva e, recentemente, até novas embalagens para defensivos. “Com isso nós fechamos o círculo e nos transformamos num claro exemplo de economia circular”, concluiu Renata.  

Outra palestrante do Workshop para Jornalistas, a diretora executiva da ABCBio – Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico, Amália Borsari, traçou um panorama, brasileiro e mundial, do mercado de defensivos biológicos, e afirmou que em 2018, o mercado brasileiro movimentou R$ 464,5 milhões, um salto de 77%, comparado com 2017. A seu ver, a velocidade desse crescimento reflete a eficiência da tecnologia diante da necessidade dos agricultores de aumentar a produtividade. Em todo o país, essa solução já é aplicada em 10 milhões de hectares de um total de 77,4 milhões de hectares cultivados. “Há muito espaço para crescer”, afirmou Amália. “No Brasil, estimamos uma expansão acima de 25% nos próximos cinco anos, contra 17% esperados no mercado global”, informou Amália.  

Para a diretora da ABCBio, hoje a agricultura brasileira vive uma nova revolução, pois o país está diante da necessidade de produzir mais alimentos e fibras para não haver escassez de alimentos. “Será necessária uma nova revolução, que lançará mão de produtos de base biológica e será combinada com o uso inteligente de dados e com a automação dos processos. Essa será a revolução agrícola protagonizada pelo controle biológico”, disse. 

Ao final, Caio Penido Dalla Vecchia, presidente do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS) falou sobre os vários programas e projetos de pecuária sustentável, enfatizando que todos os programas vão na direção de se produzir mais carne por meio de intensificar manejo sustentável de pastagens degradadas e abertura de novos mercados. “Além disso, se tenta diferenciar e levar os produtores a agregar valor aos seus produtos, assegurando vantagens competitivas”, acrescentou. 

*com informações da assessoria da ABAG e da Agência Brasil.