Consumo e produção em mudança
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Intercâmbio agrícola

Aprimorar idioma, participar do dia a dia de uma fazenda e conhecer outra cultura são alguns dos propósitos do programa

Beatriz Barreira

Beatriz Barreira em trabalho na fazenda em Massachusetts, nos Estados Unidos

Quem é que não quer um lugar ao sol? Quando se trata de carreira profissional, a máxima se torna ainda mais forte. Foi-se o tempo em que a formação acadêmica ou a instituição de ensino eram principal requisito para a contratação de um candidato. Experiências, vivências, voluntariado vêm ganhando cada vez mais importância quando se fala na construção da inteligência emocional de um indivíduo. “Morar fora para aprender idioma é importante. Mas se este intercâmbio estiver associado também à sua área de interesse profissional, tanto melhor”, diz Flavio Salvadego, diretor da Communicating for Agriculture Education Program (Caep) no Brasil.

Presente no País desde 1999, a empresa vem promovendo desde então o intercâmbio agrícola de jovens estudantes de Ciências Agrárias. “Decidi trancar a faculdade no 4º ano para fazer o intercâmbio. Foram sete meses em Massachusetts, nos Estados Unidos, numa fazenda de horticultura de aproximadamente 100 hectares”, conta Beatriz Barreira, estudante do último ano de Agronomia na Universidade Estadual de Londrina (UEL). “Confesso que estava insegura antes de ir, com medo de que não desse conta do trabalho. Acompanhar o dia a dia da fazenda, participar dos diferentes modos de cultivo e ainda estar perto do produtor na resolução de problemas foram fundamentais para o meu crescimento profissional e amadurecimento pessoal”, diz Beatriz.

Presente hoje em 19 países, o candidato ao intercâmbio, que pode durar de três a 12 meses, deve ter de 19 a 28 anos, experiência prática em sua área de interesse e conseguir se comunicar em inglês. “Não é necessário um nível avançado da língua, mas é importante que ele saiba se comunicar para que não tenha nenhum tipo de problema em relação ao trabalho que vai realizar ou com quem vai recebê-lo”, explica Salvadego.

Juliana Biguetti

Juliana Biguetti em estufa na fazenda onde realiza seu intercâmbio

Com 22 anos, formada em Engenharia Agronômica, Juliana Biguetti, decidiu fazer o intercâmbio após concluir o curso em dezembro de 2016. “Eu já havia realizado um intercâmbio normal, mas sempre tive vontade de fazer outro”, diz. Recebida pela Pleasant Valley Gardens, em Massachusetts, nos Estados Unidos, Juliana está na fazenda há um mês e meio e tem boas expectativas em relação ao programa. “Creio que os sete meses passarão muito rápido. O que estou vivenciando aqui é gratificante. Até agora já vi coisas que no Brasil dariam muito certo. A gente acaba analisando e pensando em levar umas ideias quando voltar para ajudar produtores e empresas”, diz Juliana.

EUA são o destino preferido 

A Caep manda hoje, em média, 200 jovens brasileiros por ano para realizar intercâmbio agrícola nos Estados Unidos. “Este é o destino procurado por 80% dos alunos”, informa Salvadego. Além dos Estados Unidos, o estudante pode optar por fazer o programa na Austrália, no Canadá, na Holanda, em Israel ou na Nova Zelândia. “Ele escolhe o país, a área de interesse e a época, obedecendo, é claro, ao calendário agrícola do lugar”, diz.
No programa, o aluno tem direito a alojamento, alimentação e uma remuneração de US$ 900, de acordo com a Caep.

“Apesar de representar muito menos em termos de faturamento, o intercâmbio agrícola ainda é meu xodó, pelo nível de transformação que traz para as pessoas”, conta Salvadego. A empresa também realiza viagens técnicas empresariais, que representam 70% de suas operações.