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Intensidade do El Niño é a maior desde 1997, diz brasileiro pesquisador da Nasa

Fenômeno climático tem forte impacto no regime de chuvas, o que coloca em alerta os produtores rurais de todo o País

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A intensidade do fenômeno climático El Niño é a maior desde 1997, revelou o brasileiro Ivair Gontijo, engenheiro de sistemas do laboratório de propulsão a jato da Nasa (JPL/Nasa), durante palestra no Summit Agronegócio Brasil 2015, realizado na semana passada [quinta-feira, 26], em São Paulo (SP). “A continuar desta forma, poderemos ter ainda mais chuvas nas regiões Sul e Sudeste, como temos observado”, disse.

Basicamente, o El Niño se caracteriza pelo aquecimento – ainda inexplicável, argumenta a comunidade científica internacional – das águas da costa oeste da América do Sul.

O fenômeno provoca aumento da precipitação no Sul do Brasil, bem como no sul da região Sudeste. Além disso, também acarreta em déficit de chuvas no semiárido do Nordeste e um leve aumento de temperatura no Sudeste. Pelo seu impacto significativo no regime de chuvas, observar as oscilações geradas pelo El Niño se tornou questão-chave para a agropecuária brasileira.

Ao alicerçar sua apresentação na temática das mudanças climáticas, Gontijo ressaltou, também, que antevê o surgimento de oportunidades de negócios para quem investir em tecnologias e processos que sequestrem carbono da atmosfera sem reemiti-los. “O mundo poderá sim pagar por isso”, acentuou, acrescentando que “a atividade agropecuária pode não só reduzir a emissão de CO2, bem como reverter este processo”.

O pesquisador mostrou, ainda, tecnologias espaciais que podem servir de base para serem utilizadas em processos e técnicas de agricultura de precisão. Entre as aplicações, Gontijo citou soluções que podem dar maior precisão no acompanhamento da evolução dos plantios, melhor exatidão nas previsões de seca e/ou chuvas, identificação de umidade e nutrientes no solo, entre outras.

É o que já fez, por exemplo, em nível experimental, a Embrapa em São Carlos. A partir da tecnologia empregada no Curiosity, veículo da Nasa que explora a superfície de Marte, a unidade desenvolveu um jipe-robô, que por meio da emissão de raio laser faz a análise química completa de qualquer amostra de solo ou cultura.