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Integração com soja e plantio direto são aprovados por pecuarista do Mato Grosso

Fazenda que cria touros da raça Nelore, além de se dedicar à recria e engorda há mais de 30 anos, em Cáceres, já sente os benefícios na integração com a lavoura de soja, introduzida há dois. Capacitação da mão de obra ainda é desafio

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A atividade principal da Ressaca, de Cáceres/MT, vai continuar sendo a pecuária, assegura Ilson Corrêa, diretor da Nelore Grendene, proprietária da fazenda mas a experiência na agricultura, iniciada há dois anos, tem agradado. “O carro chefe da fazenda é a produção de touros Nelore com alto padrão genético. A soja surgiu para integrar com a pecuária e esse casamento tem dado certo. Compensa”, declara Corrêa, esclarecendo que, além de complementar a renda, a atividade agrícola melhora o solo e o pasto, além do manejo, e, consequentemente, o rendimento dos animais.

Mantendo o foco na pecuária, os gestores da propriedade pegam embalo no mercado dos grãos, com saca na casa dos R$ 70, e ainda estimulam a lotação dos animais. “Temos também animais de corte, que após a primeira safra de grãos, estão concentrados em um menor espaço”, diz Corrêa já mostrando os primeiros resultados da integração: “nas áreas em que ainda não introduzimos a soja, o rendimento é de uma cabeça por hectare; onde plantamos soja, é de três cabeças por hectare”.

Dessa forma, a fazenda está triplicando a capacidade da área para o gado. Ou seja, mais produção de proteína na mesma área. Mas a meta da fazenda é ainda mais ambiciosa: atingir oito animais por hectare no período de cinco safras de soja.

Apesar da satisfação com o resultado da integração-lavoura-pecuária  (iLP), o diretor da Nelore Grendene revela que a adoção do sistema foi dificultada pela falta de capacitação da mão de obra na região para manejar a lavoura de soja. “Aqui na região não temos a cultura da agricultura e, assim, tivemos que trazer mão de obra de fora”. O regime de chuvas, mais concentradas em um período do ano em relação às regiões Sul e Sudeste, por exemplo, representa outra dificuldade para o manejo das lavouras.

Plantio direto

Divulgação Fazenda RessacaCom as altas temperaturas na região, normalmente acima dos 30ºC, e a do solo beirando os 70ºC, capaz de matar o embrião da planta da soja, a Fazenda Ressaca encontrou na técnica do plantio direto uma solução para o desenvolvimento da lavoura. Dentro da técnica, adotada sob recomendação do engenheiro agrônomo Lycurgo Iran Nora, planta-se a soja sobre a palha da safra anterior, ou seja, a braquiária. Assim, na segunda safra da propriedade, dos 1.350 hectares destinados à soja, mil foram cultivados em plantio direto, o que tem garantido o desenvolvimento saudável da planta.

Segundo Iran Nora, sem a palhada, o plantio – que é feito em meados de dezembro devido a falta de chuvas – seria inviável. “É o real sentido da integração. Ganha-se em produtividade e rentabilidade, uma vez que devemos utilizar menos herbicida nesta safra, para o controle de ervas daninhas. A palha proporciona menor possibilidade de invasoras e ainda retém no solo mais nutrientes e matéria orgânica” pontua o agrônomo, referindo-se ao SPD como uma técnica que agrega valor às áreas que estão em algum nível de degradação.

A estimativa da Nelore Grendene é superar sua primeira safra de soja, quando os talhões menos produtivos renderam 59 sacas por hectare e os mais rentáveis chegaram a 71,5 sacas, médias equivalentes ao norte de Mato Grosso, uma das regiões mais produtivas do País.

Além da soja, os técnicos destinaram parte da área para o cultivo de sorgo, que servirá de silagem para complementar a alimentação dos animais quando necessário. E alguns talhões foram cultivados com sementes de pastagem que, na safra 2016/17, estará pronta para ser dessecada e estimular a produtividade dos grãos.

Perguntado se logo vai partir para introduzir o reflorestamento no sistema de integração da fazenda, Corrêa é categórico: “ainda não. Vamos primeiro aprender melhor a iLP, para depois pensar em floresta”.

Fotos: Divulgação Fazenda Ressaca/Nelore Grendene