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Iniciativa cria mercado para frutas e legumes feios

Descartados pelo varejo, estes produtos vem se tornando um negócio com características de impacto social 

Um novo modelo de negócio, desenvolvido no entorno da cidade de São Paulo, está criando oportunidades de mercado para frutas e legumes “feios”. Produtos tradicionalmente descartados pelo varejo estão encontrando na iniciativa Fruta Imperfeita seu ponto de venda.

Idealizada pelo engenheiro mecânico, Roberto Matsuda, – que deixou a antiga profissão para empreender em um negócio de características de impacto social -, a Fruta Imperfeita conecta diretamente agricultores e consumidores por meio da venda de produtos agrícolas considerados fora do “padrão estético”. “Estes itens são, erroneamente, rejeitados pelo comércio tradicional, apesar de não deverem nada em termos de segurança, qualidade e valor nutricional”, diz Matsuda.

Ele conta que viveu boa parte de sua vida no sítio da família, e neste ambiente enxergava as dificuldades dos agricultores em relação à venda da produção, atravessadores, logística, entre outros gargalos. “Por isso, quis criar um negócio que ajudasse a desenvolver todo o ecossistema, combatendo o desperdício e estimulando o consumo consciente.”

Criada em 2013, a Fruta Imperfeita dispõe hoje de uma rede de fornecedores de aproximadamente 30 pequenos produtores e, entre quatro a cinco cooperativas. “Quando fomos conversar com estas pessoas, 100% delas diziam que literalmente jogavam fora os produtos considerados ‘feios’”, ressalta Matsuda, que reitera: “mais do que uma atividade econômica, o que queremos com a Fruta Imperfeita é ativar um movimento que alerte para o desperdício de alimentos, mostrando para as pessoas que aquela fruta meio ‘tortinha’ ou ‘pequenina’ também é segura e boa para consumo”.

Em termos operacionais, Matsuda relata que recolhe os produtos nas propriedades de alguns produtores, já outros entregam para ele. Por sua vez, na parte da venda, o consumidor adquire cestas de produtos – de maneira avulsa ou por meio de uma assinatura periódica -, respeitando o período de colheita. “Isso é outro ponto importante, porque nem sempre aquela fruta que você gosta estará disponível. Este é um recado que queremos passar também, o da sazonalidade.”

No que diz respeito ao preço, Matsuda é cauteloso, mas assegura que uma cesta de frutas e legumes “feios” entregue em domicílio, custa bem menos do que se o consumidor comprasse o produto “bonito” no varejo. Ademais, ele revela que o intuito é avançar para outras praças, fora de São Paulo, mas sempre levando em conta o conceito de “local food”.