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Femagri, a feira de tecnologia da Cooxupé, registra recorde de negócios

Os baixos estoques do Brasil elevaram o valor do produto na Bolsa de Nova York, favorecendo as compras de máquinas pelo sistema de troca. Incrementar o conhecimento levado ao pequeno produtor é foco da cooperativa, que atrai as famílias para a feira

Femagri - geral

Quem visitava a 15a Femagri, a feira de máquinas, implementos e insumos da Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores de Guaxupé), no seu segundo dia (o evento teve início na quarta-feira, 16, e termina nesta sexta-feira), achava que estava em algum universo paralelo, levando em consideração a crise econômica que vive o país e, mais ainda, o turbilhão da crise política nos últimos tempos. Ontem, especialmente.

É que, animados pela subida do preço da saca de café – que registrou altas de 3,2% e 2,7%, na quarta e na quinta-feiras, respectivamente, sendo ontem os contratos negociados para maio a US$ 1,3255 – os produtores foram às compras. Como boa parte das compras de máquinas são feitas pelo sistema de troca (ou operação Barter), o fato de a saca de café estar valendo R$ 520,00 em 16 de março fez com que o primeiro dia da feira deste ano registrasse um aumento de 30% no volume de negócios, em comparação com o primeiro dia do evento de 2015. Neste ano, o evento deve render R$ 140 milhões, contra R$ 120 milhões do ano passado.

Cristina Rappa

Carlos Alberto Costa, da Cooxupé

Os estoques baixos do Brasil após dois anos de seca nas regiões produtoras aliados a uma demanda crescente são a explicação para a alta dos preços, acredita Carlos Alberto Paulino da Costa, presidente da Cooxupé, a maior cooperativa exportadora de café do mundo. “O Brasil é a caixa d’água que abastece o mundo com café o ano todo e essa caixa d’água está vazia”, disse, alertando que a situação pode se estender na safra 2017/18.

Segundo Costa, o Brasil deve consumir internamente e exportar pouco mais do que 55 milhões de sacas, sendo que a produção deve ficar entre 50 e 53 milhões de sacas.

Foco na melhoria da qualidade

Porém, das 36 milhões de sacas exportadas pelo Brasil, apenas 6 milhões são de qualidade. E aumentar esse número é o foco da cooperativa. “O produtor consciente tem que melhorar a qualidade do seu produto, para ser mais competitivo e receber um preço diferenciado pelo seu café”, afirmou, dizendo que a compra de máquinas e insumos modernos é investimento na melhoria da produção.

Como 60% do café brasileiro é fruto de produção familiar, a Cooxupé tem se preocupado em colocar “tecnologia e conhecimento ao alcance do cooperado “, slogan, inclusive, desta Femagri. Nos espaços Fazenda Modelo e Fazendinha, na feira, produtores aprendiam sobre como produzir um café de forma sustentável, respeitando as legislações ambiental e trabalhista, dado destinação correta de resíduos, fazendo uso correto dos insumos, tendo uma boa gestão, e ainda sobre as parcerias com empresas como a Starbucks e algumas certificadoras, para receber mais pelo produto que é exportado. E até para conseguir exportar, uma vez que as exigências estão cada vez maiores em termos de resíduos tóxicos no grão, entre outras.

Femagri - espaço gourmetEm outro local, no Espaço Gourmet (foto à esquerda), produtores, donas de casa, torrefadores etc. aprendiam, com um barista, como preparar em casa um café de qualidade. As engenheiras agrônomas Ana Maria Miotello e Denise Andreia de Oliveira, que atuam no dia a dia dando assistência técnica aos cooperados e que coordenavam o espaço, asseguraram que “a ponte da tecnologia com o produtor rural é o diferencial da cooperativa”.

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