O que muda na legislação dos agrotóxicos com a PL 6299
8 de agosto de 2018
Safra deste ano deve sofrer queda de 5,7%, prevê IBGE
9 de agosto de 2018

Federação de Plantio Direto lamenta proibição do uso de glifosato

A Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação – FEBRAPDP manifestou na quarta-feira, 08, em nota, sua preocupação com a decisão judicial de proibir o uso do herbicida glifosato às vésperas do plantio da próxima safra de grãos

Redação

Na sexta-feira, 03, a juíza federal substituta da 7ª Vara do Distrito Federal, Luciana Raquel Tolentino de Moura, determinou que a União não conceda novos registros de produtos que contenham o glifosato como ingrediente ativo. Na decisão, a juíza ainda determinou que a União suspenda, no prazo de 30 dias, o registro de todos os produtos que utilizam essa substância até que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária conclua os procedimentos de reavaliação toxicológica.

O glifosato é ingrediente ativo de herbicidas usados por mais de 40 anos e em mais de 160 países.

Segue comunicado assinado por Jônadan Hsuan Min Ma, diretor presidente da FEBRAPDP a respeito:

“A Federação, como entidade representativa dos produtores que fazem a Agricultura Sustentável no Brasil, não questiona a reavaliação toxicológica do glifosato nem de qualquer outro produto. Entretanto reforça que qualquer decisão a ser tomada no campo legal e regulamentar seja embasada solidamente na Ciência e Tecnologia, com informações originadas em instituições credenciadas para tal e que se utilizam de metodologias científicas aceitas internacionalmente.

Pelo fato do Brasil ser um país tropical, a realização de uma Agricultura Sustentável depende da utilização de tecnologias como o Sistema Plantio Direto que permite semear sem revolver o solo, que permanece coberto permanentemente com palha e plantas vivas, cuja diversidade de raízes promove o manejo biológico do solo ao invés do uso de arados e grades.

Nesse particular o herbicida glifosato é utilizado mundialmente no manejo de mais de 150 ervas daninhas em superfície, desempenhando um papel crucial na viabilização do Sistema Plantio Direto no Brasil, evitando a mobilização e desgaste dos solos em grande escala.

Sua retirada repentina do mercado causará graves impactos à agropecuária nacional, desde a diminuição drástica da produção de grãos até a volta dos problemas de erosão levando ao assoreamento dos rios em diversas regiões do país.

Nesse sentido esta Federação solicita das autoridades e do poder judiciário que usem da razoabilidade possível no sentido de suspender tal proibição até melhor juízo num prazo mais elástico e com decisão embasada cientificamente.”

 Outras manifestações

Em encontro com a imprensa durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio, na 2a feira, em São Paulo, representantes da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), entidade responsável pelo evento, lamentaram a decisão de proibição do uso do glifosato no País.

“Acho que a juíza está equivocada e que a decisão será revogada de algum modo. É impossível fazer agricultura sem esses produtos”, afirmou o diretor. O executivo destacou o fato de produtos à base de glifosato serem importantes para que o produtor realize o plantio direto, “uma prática agrícola importante em termos de produtividade e sustentabilidade”.