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Famílias de pequenos cafeicultores marcam presença na Femagri 2018

Cristina Rappa

Evento anual da Cooxupé é oportunidade para atualização sobre máquinas, implementos e tecnologias. Associados da cooperativa do sul de MG devem produzir 19,9 milhões de sacas de arábica neste ano

Cristina Rappa

Ao andar pela Femagri, a feira de máquinas, implementos e insumos agrícolas organizada anualmente pela Cooxupé em Guaxupé/MG, salta aos olhos do visitante a quantidade de mulheres e crianças no evento. A explicação é encontrada na declaração de Carlos Paulino da Costa, presidente da cooperativa: “95% dos nossos cooperados são pequenos e médios cafeicultores, que produzem em sistema familiar”.

Segundo Costa, que comemorava o público recorde de 10.660 pessoas registrado na véspera, o primeiro dia da Femagri deste ano (21 de fevereiro), o evento, exclusivo sobre a cafeicultura, é oportunidade para o produtor “aprender, atualizar-se e reverter esse conhecimento em café de qualidade, mais renda e mais respeito ao meio ambiente”.

cópia de Cooxupe - Femagri 2018 - familia de pequenos cafeicultores

Eduardo Freitas (à esq.) e família

Eduardo Ferreira de Freitas, que planta café das variedades Mundo Novo e Catuaí, além de criar gado de leite e corte, na propriedade de 27 alqueiras em Paraguaçu/MG, visitava o espaço Fazendinha acompanhado do filho e dos netos. “É a segunda vez que venho à feira e está valendo à pena para conhecer as novidades”, afirmou.

Na Fazendinha, espaço destinado à divulgação de tecnologias ao pequeno cafeicultor, o destaque é a participação da Plataforma Global do Café (GCP), uma associação internacional com mais de 200 membros e com atuação em 8 países. Sua principal referência é o Currículo de Sustentabilidade do Café (CSC), documento que elabora de maneira coletiva e apresenta um conteúdo de boas práticas agrícolas, detalhando como uma propriedade pode se tornar sustentável.    

Além do currículo, outro documento importante é o Manual dos 18 itens fundamentais do CSC, cujos itens foram definidos pela cadeia do café como prioritários. Durante o evento, representantes da Plataforma Global do Café orientaram produtores sobre esses itens, entre eles: manejo de solo e de plantas daninhas, conservação de nascentes e APPs, uso de EPIs, uso de produtos registrados e sua correta armazenagem, destinação correta de resíduos e de embalagens de agrotóxicos, manejo integrado de pragas, tratamento de esgoto, legislação trabalhista, controle de custos e sucessão familiar, entre outros.

“O comprador externo está preocupado com as condições de cultivo nos principais países produtores de café do mundo e o Brasil não fica de fora. Por isso, elaboramos ferramentas para orientar e trazer o produtor para o mundo da sustentabilidade”, explica Eduardo Matavelli, da empresa P&A Marketing, coordenadora do Programa no Brasil.

Outra ferramenta que merece destaque é o recém lançado aplicativo do CSC, que tem como objetivo monitorar as práticas do Currículo de Sustentabilidade do Café e avaliar 35 indicadores de sustentabilidade. Segundo Matavelli, agora será possível quantificar as práticas adotadas, determinar evoluções e carências e comparar regiões.

O aplicativo estará disponível sem custos para membros e parceiros da GCP, para uso em smartphones e tablets, no sistema Android e IOS, com o nome “Currículo de Sustentabilidade do Café e poderá ser alimentado off-line.

Espaço Pecuária

Femagri 2018 - vacas compost barnOutra novidade desta 17a edição da Femagri é o Espaço Pecuária, com palestras técnicas sobre assuntos como o Compost Barn, que prevê conforto térmico para gado leiteiro. A técnica consiste em instalação rural em área coberta, com uma cama para as vacas feita com serragem e esterco incorporado e compostado, criando uma cama seca, confortável e limpa para as vacas.

O sistema melhora os índices reprodutivos, aumenta a produtividade, a qualidade do leite e a saúde do casco, além de ser 20% mais barato que o tradicional free stall, informa o veterinário Adriano Seddon.

Safra 2018

Em safra de bienalidade positiva para a produção de café, os associados da Cooxupé devem colher 19,9 milhões de sacas de 60 kg de arábica neste ano, número levemente inferior aos 20,6 milhões de sacas de 2016, o último ano de safra positiva (em 2017, foram produzidas 15,6 milhões de sacas), informou Paulino Costa. O levantamento foi feito em 4 mil propriedades e a diferença é atribuída a reflexos de clima adverso, mais seco, nos anos anteriores.

Em janeiro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou sua primeira previsão de safra de café em 2018, estimando que o Brasil produzirá entre 54,4 e 58,5 milhões de sacas beneficiadas, crescimento entre 21,1 e 30,1% em relação a 2017. A produção de arábica foi estimada pelo órgão público entre 41,74 e 44,55 milhões de sacas, e de conilon, entre 12,7 e 13,96 milhões de sacas.