23.03.2012 - ANDEF Fotos: Tatiana Ferro
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F de futuro e de feminino

Quais os desafios que teremos de enfrentar nos próximos anos? E como as mulheres enxergam sua participação neste processo

Ao microfone, Cleber Soares, da Embrapa

Em sua terceira edição, o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio reúne, em São Paulo, hoje (23) e amanhã produtoras, especialistas, pesquisadores e representantes de grandes empresas do setor para discutir desafios e soluções para o futuro. “Não podemos falar em futuro sem que tenhamos como moeda a sustentabilidade”, disse Cleber Soares, diretor-executivo de Inovação e Tecnologia da Embrapa. “Três pilares são fundamentais – carbono, água e práticas conservacionistas. E quem está puxando esse carro é o Brasil. Precisamos sim, olhar para o futuro, mas o que precisamos resolver hoje em relação à produção de alimentos é a situação de 821 milhões de pessoas com fome, de acordo com o último relatório divulgado pela FAO”, completou.

“Além desse tremendo desafio, acredito que é necessário também que passemos a enxergar o alimento como uma experiência. Isso é muito pouco explorado ainda por nossos produtores rurais. Temos imenso potencial em oferecer produtos de terroir; de agregar valor, e isso, não tem sido feito”, lamentou Soares.

Desperdício

“Fui convidado para falar hoje sobre o desperdício neste processo de demanda e produção de alimentos e não posso deixar de dizer que a mulher tem papel fundamental de conscientização a respeito disso porque ela é responsável pela transmissão de conhecimento”. Foi assim que Emiliano Graziano, gerente de Sustentabilidade Corporativa da Basf, iniciou sua participação no debate.

De acordo com Graziano, o mundo desperdiça mais de US$ 1 trilhão; só em água isso equivaleria a US$ 170 bilhões. Para se ter uma ideia, em área, o montante representa um país do tamanho do México. “O uso da tecnologia é muito importante para resolvermos o problema”, disse. “Vou fazer aqui a analogia do ovo do pato e da galinha. Se a gente não fizer como a galinha, que cacareja para botar o ovo, todo mundo vai achar que é o agro o grande responsável pelo desperdício, e não é. O desperdício dentro da fazenda hoje é cerca de 10%. E tecnologias como ILPF (Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta) tem garantido maior produtividade e menor desperdício”, explicou Graziano.

O futuro está no campo

“Temos um mundo clamando por mais comida, principalmente por proteína; 1 bilhão de pessoas vão nascer na África até 2050. Os mercados estão cada vez mais exigentes, pedindo rastreabilidade dos produtos e somente 18% da população brasileira vive no campo. Em cidades como São Paulo, por exemplo, 95% é de população urbana. Agora, eu pergunto pra vocês: quem é que vai produzir o que está sendo demandado pelo mundo?”, questionou Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil. “Esse é o nosso grande desafio”, disse.

Para Herrmann, nos falta eficiência. “Temos muitas oportunidades em corrigir isso – na questão do desperdício, armazenamento, transporte, na conservação da água… onde está a monetização do carbono? Ainda não decolou por aqui”, disse. “Precisamos trazer nossos jovens de volta para o campo porque é lá que está o futuro”, completou.

Mulheres no agro

Maria Garbugio, produtora rural em Campo Verde/MT, acredita que o desenvolvimento no setor cresce também por conta da participação das mulheres no campo e nos negócios. “Há 30 anos tudo era o homem na agricultura. As mulheres ficavam em casa ou cuidavam de empresas que não tivessem relação com isso. Eu, de alguma forma, sempre participei da administração da fazenda com meu marido. Hoje, neste evento, vejo o quanto evoluímos”, disse.

Para Yolanda Guimarães de Oliveira, pecuarista em Rio Verde/GO, a mulher enxerga o negócio de maneira ampla e, por isso, tem muito a agregar, seja trabalhando sozinha ou auxiliando o homem em seu negócio. “A mulher tem uma visão de 180°, e por isso ela consegue enxergar além, o que nem sempre o homem consegue”.

Walquíria de Andrade acompanha o trabalho do marido há 40 anos, pecuarista em Araguaína/TO. “Vejo de perto o quanto meu marido e meus filhos fazem uso de tecnologia, embora não as entenda muito. Mas sei o quanto é importante. Acredito que isso também fez com que a mulher pudesse ir mais para o campo nos últimos anos”, disse.