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Esperança, confiança e desenvolvimento

Por Ciro Rosolem*

Em seu ótimo livro Sapiens, o historiador Yuval Noah Harari discute porque alguns impérios antigos cresceram e se desenvolveram, e outros ficaram estagnados por séculos. Resumidamente, o progresso começa pela admissão da ignorância. A partir do reconhecimento da ignorância surge o ímpeto de descobrir, de aprender, e de crescer. Mas, o mais interessante, é que o crescimento acontece quando os povos param de olhar e venerar o passado, e passam a ter esperança e confiança no futuro. Havendo vontade de saber e de crescer, havendo esperança e confiança no futuro, as sociedades de desenvolvem, ficam complexas, mais ricas.

Acabamos de passar por uma campanha eleitoral pautada por “fake news”, o nome moderno para mentiras e por promessas vazias; bom, sabemos como foi. Enfim, eleito o novo presidente, há uma sensação de esperança renovada. A maioria da população deu um basta ao velho. Parou de “olhar para trás” e se conformar. Bom, paramos de ignorar os malfeitos, e plantamos a esperança. Mas, isso não é suficiente para o progresso, como nos ensina o historiador.

Em seu primeiro discurso, o presidente eleito deu pistas de que, além da esperança, poderá haver confiança no futuro. De acordo com suas palavras, está disposto a garantir um estado que atrapalhe menos o empreendedor, a dar segurança jurídica a empresas, a livre concorrência, a liberdade, tudo com o estrito cumprimento da Constituição. Não depende somente dele, mas sua disposição é um bom começo.

Teremos um novo Congresso Nacional, com perfil novo, mas ainda desconhecido. Mais esperança. Até que ponto nossos representantes estarão dispostos a moldar um país viável?

Muito bem, estabelecemos pelo menos dois passos importantes para o desenvolvimento de riquezas: olhamos para frente e, novamente, temos esperança. Ainda nos falta estabelecer definitivamente a confiança no futuro. Difícil, frente aos enormes desafios que existem, mas possível.

Possível, desde que o presidente fique firme nas suas convicções declaradas no discurso e, principalmente, que exista uma oposição responsável ao seu governo. Que a oposição não se preocupe somente em destruir o poder constituído, pensando na próxima eleição. O momento é de exercer a maturidade, a discussão séria e responsável, sem projeto de poder. Queremos ser um império estagnado ou desenvolvido?

Assim, com a vontade dos brasileiros, com a esperança plantada, mais a confiança estabelecida, cresceremos, teremos um país mais rico, melhor para todos.

*vice-Presidente de Comunicação Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor Titular da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCA/Unesp Botucatu).