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Diplomacia ideológica tem prejudicado nosso agro nos mercados internacionais

Palácio do Itamaraty - edifício sede do Ministério das Relações Exteriores Local: Brasília DF Brasil Data: 201305 Código: 11RC938 Autor: Rubens Chaves

Para professores da FGV e do Insper, governo precisa realinhar discurso e ações externas, a fim de que o Brasil não perca um posicionamento diplomático simpático ao mundo construído por décadas

Ronaldo Luiz

Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. Foto: Rubens Chaves/Pulsar Imagens

Posições ideológicas do governo Bolsonaro têm prejudicado imagem e negociações do agronegócio brasileiro nos mercados internacionais, alertaram especialistas durante o Fórum Abisolo, que aconteceu em Campinas (SP) neste mês de abril.

“Há um arrebatamento ideológico em alguns ministérios e correntes da administração federal, que vem atingindo nossa diplomacia política e comercial”, disse o cientista político e professor do Insper, Carlos Melo. “Países não têm amigos, têm interesses. Vamos criar ruídos com China, nações árabes, Europa, para quê?”, indagou Melo ao se referir a recentes imbróglios do governo federal com estes parceiros.

Para Guilherme Casarões, professor da FGV-Eaesp, o governo precisa realinhar discurso e ações externas, a fim de que o Brasil não perca um posicionamento diplomático simpático ao mundo construído por décadas. “Nossa diplomacia tem tradição de ser pragmática, de sempre manter boas relações com o mundo inteiro”, ressaltou Casarões.

Este modo de agir e pensar, acentuou o especialista, foi um dos fatores que também permitiu a inserção do agronegócio brasileiro nas cadeias globais de alimentos. “Essa ‘simpatia’ que temos junto ao restante do mundo é um importante ativo geopolítico que não podemos perder.”

Casarões exemplificou que a recente agenda da diplomacia brasileira com Israel criou desconforto com os árabes. “Isso é inegável”, frisou o especialista, acrescentando, ainda, que o Brasil precisa resgatar a integração regional com os vizinhos do Mercosul. “Pensando do ponto de vista agrícola, no fundo, Argentina e Paraguai, por exemplo, são nossos concorrentes. Então, estrategicamente é muito melhor que trabalhemos em conjunto.”