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Desenvolvimento de repelentes naturais para controle do inseto transmissor do greening avança

Magnani, do Fundecitrus

Pesquisas, desenvolvidas pela UFSCar e o Fundecitrus, tiveram início em 2009 e os compostos que repelem o psilídeo devem ser testados até o final do ano. Produtos permitirão uso mais racional de inseticidas

Magnani, do Fundecitrus

Magnani, do Fundecitrus: manejo mais sustentável do greening

Para ampliar as formas de defesa contra aquela que é considerada a mais destrutiva doença da citricultura, o greening, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) estão trabalhando desde 2009 no desenvolvimento de inseticidas naturais para controle do inseto transmissor.

O greening é causado pelas bactérias Candidatus Liberibacter asiaticus e Candidatus Liberibacter americanus, transmitidas para os pomares pelo psilídeo Diaphorina citri. O inseto é comumente encontrado na planta ornamental Murraya spp., popularmente conhecida como murta ou dama da noite.

As pesquisas se concentram nas moléculas produzidas por plantas que são repelentes ao psilídeo. Segundo o pesquisador do Fundecitrus Rodrigo Facchini Magnani, o objetivo é desenvolver compostos voláteis – ou seja, aromas – com propriedades repelentes e atraentes ao inseto, para que ele seja repelido dos pomares de citros e atraído para outros locais, “uma vez que ele não afeta outros tipos de planta nem causa riscos à saúde humana”.

“Os resultados que obtivemos até o momento são provenientes de experimentos de laboratório, onde conseguimos identificar uma molécula volátil que é repelente ao psilídeo. Agora, estamos preparando experimentos de campo para verificar se teremos a mesma atividade encontrada no laboratório”, diz Magnani, explicando que os testes em campo devem começar ainda este ano e que em cinco anos teremos resultados para analisar.

A investigação continua, explica o pesquisador, com a busca de outras moléculas capazes de alterar o comportamento do inseto ou que tenham atividade inseticida. “Se tivermos sucesso, estas moléculas deverão ser incorporadas no manejo do greening e ajudar no seu combate”, diz.

Doença destrutiva

O greening (ou Huanglongbing/HLB) é a mais destrutiva doença das citriculturas brasileira e mundial. Dados de 2017 indicam que ele está presente em 16,73% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro. Em números, são 32 milhões de árvores infectadas. Quando as plantas estão infectadas, a solução é eliminar as árvores, evitando, assim, que o psilídeo transmita a bactéria para as plantas sadias.fundecitrus-greening-4

De acordo com Magnani, do Fundecitrus, o controle químico continua de “extrema importância” para o controle do greening. “Desde o início deste projeto, o controle químico está associado às nossas estratégias de repelência e atratividade do psilídeo. Usar um repelente nos pomares e fazer com o que o inseto seja atraído para um outro local  seja com iscas ou até mesmo  com outras plantas atrativas cultivadas nas bordas dos pomares  torna o manejo do greening mais sustentável”, afirma. O uso do repelente permitirá o uso mais racional de inseticidas: “diminuindo o risco de resistência, de resíduos e a contaminação ambiental”.

Fotos: Fundecitrus/Divulgação

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