O Brasil na guerra comercial EUA-China
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Chico Ferreira/Pulsar Imagens
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Crise pode ser oportunidade, mas temos que fazer o ‘dever de casa’, diz diplomata

Gerardo Lazzari

Sérgio Amaral, embaixador do Brasil em Washington, falou dos desafios do agronegócio brasileiro no curto prazo, como resolver seus problemas de infraestrutura, no Congresso Brasileiro de Agronegócio

Gerardo Lazzari “Como se pode propor que o país seja um grande exportador, se não tem infraestrutura adequada?”, questionou o embaixador Sérgio Cabral (foto), em apresentação no Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado nesta segunda-feira, 06, em São Paulo, com o tema “Exportar para Sustentar”.

Melhorar a infraestrutura para escoar a produção do agronegócio brasileiro é prioridade para o diplomata, para que não percamos mais oportunidades, como ocorreu em governos anteriores. “O trem passava e nós o estávamos perdendo; aí, veio o Trump [Donald Trump, presidente dos Estados Unidos] e deu uma parada no trem. É nossa oportunidade de embarcar”, alertou ele, referindo-se à guerra comercial travada entre o presidente norte-americano e a China.

Para isso, a médio prazo, o setor vai precisar dar um salto em termos de internacionalização, exportando não apenas alimentos, mas também tecnologias e serviços, financiando, dessa maneira, novos avanços e garantindo uma presença maior em mercados, com capital e necessidade de tecnologia e know how.

Amaral lembrou, no entanto, que o país possui grandes vantagens competitivas em relação a outros países, como a China, por ter recursos naturais abundantes, área para expandir a produção, tecnologia e inovação para aumentar a produtividade. “Ninguém tem tanta condição como nós, por isso somos candidatos naturais para atender essa demanda de alimentos no mundo”.

Sobre a guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos, Amaral alertou que poderemos sofrer as consequências de forma indireta. “Se os chineses imporem sanções, por exemplo, na exportação da soja americana, eles (chineses) vão precisar de outros mercados para suprimir a demanda e o Brasil pode ser beneficiado, juntamente com a Argentina; assim como se a China fechar um acordo com os Estados Unidos, pode ser que percamos um mercado importante”, analisou.

Protecionismo afeta crescimento

Cristina Rappa

Kessie, da OMC, defende o multilateralismo

“Se esta guerra comercial continuar, o crescimento global vai ser afetado”, alertou Edwini Kessie, diretor de Agricultura e Commodities da OMC – Organização Mundial do Comércio, defendendo a previsibilidade que, a seu ver, provém do multilateralismo. 

Nelson Ferreira, sócio da consultoria Mckinsey, vê também com preocupação a guerra comercial entre EUA e China. Para ele, se a curto prazo ela pode beneficiar o Brasil, “o protecionismo pode prejudicar o desempenho de um dos nossos mais importantes produtos de exportação, a soja”. Isso porque o protecionismo afeta o crescimento e a renda per capita dos países, atrasando o crescimento da China e diminuendo suas compras de soja e proteína animal.

“Sabemos que o consumo de proteína é função do aumento de sua renda per capital. Na China, há ainda um grande potencial de expansão que pode ser comprometido por um provável declínio econômico mundial causado pela disputa comercial”, afirmou Ferreira.

Foto de Sérgio Amaral: Gerardo Lazzari/ABAG.

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