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Consequências da greve dos caminhoneiros e a nova lei do frete são tema de debate

Bruno Blecher, diretor da Revista Globo Rural, e os debatedores convidados

Evento faz parte do 6° Fórum Caminhos da Safra

Bruno Blecher (1° à direita), diretor da Revista Globo Rural, e os debatedores convidados

Ao reunir representantes de diferentes setores do agronegócio, a Revista Globo Rural realizou nesta quinta-feira (13), em São Paulo, o 6º Fórum Caminhos da Safra, para discutir gargalos, infraestrutura e também as consequências da greve de caminhoneiros, ocorrida em maio deste ano.

Antes de iniciar o debate, Luiz Antonio Fayet, consultor de infraestrutura e logística da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) subiu ao palco para falar a respeito da ação protocolada pela entidade no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o tabelamento dos preços mínimos dos fretes rodoviários aplicados pelo governo. “O que eu digo sempre aos meus alunos é o seguinte: não se deve contrariar duas leis máximas – a da gravidade e da oferta e da procura”, disse. “As consequências para a economia brasileira são graves. Não podemos tolerar a ruptura de cadeias produtivas num país onde há 13 milhões de desempregados”, completou.

Mesmo de acordo em relação aos prejuízos, o produtor rural e empresário Adelino Bissoni, fez o contra-ponto. “O setor de transportes não teve a valorização que merecia ao longo do tempo. Há excesso de caminhão; não tivemos respostas do governo quando sinalizávamos que estávamos em dificuldades e isso culminou na greve”, argumentou. “O fato é que os caminhoneiros nunca foram colocados em pauta nas discussões sobre o setor. É preciso atenção da porteira pra fora. Não temos portos, estradas adequados e a greve foi uma demonstração do que o setor vinha sofrendo”, continuou.

“Mesmo que a tensão já fosse sabida, fomos surpreendidos. Movimentamos cerca de 500 mil caminhões por ano. O transporte, de certa maneira, também é uma commodity e é determinante para o negócio da empresa. Quem é a primeira pessoa que nos representa? O caminhoneiro”, disse André Perez, diretor de logística da Yara Fertilizantes. “A forma como esta greve foi tratada foi muito irresponsável porque além de colocar as partes em rivalidade, o que só potencializa o problema, jogou a solução no colo da sociedade”, comentou.

“O mercado livre deveria chegar a um equilíbrio na negociação entre as partes. O tabelamento, definitivamente, não é a solução porque não leva em consideração o custo de cada trajeto e as particularidades de cada região”, disse Claudio Graeff, presidente do Comitê de logística na ABAG. “Estamos numa rua sem saída porque esta medida só causa prejuízo às empresas que investiram aqui e isso gera insegurança jurídica”, disse Graeff.

Ricardo Nasambini, diretor de supply chain da Cargill, também comentou a medida imposta pelo governo. “É inconstitucional; é ilegal. A tabela tem vícios, erros, desvios. Além do que, não houve debate com a sociedade”, disse. “Fora a falta de proporcionalidade – a multa é mais alta do que o próprio frete. Não é dessa forma que queremos estruturar uma sociedade forte”, completou.

O diretor de vendas da Scania Brasil, Silvio Munhoz, chamou atenção a outra questão também importante na cadeia. “A frota de caminhões no Brasil é maior do que o necessário. Temos mais carro e somos ineficientes. Isso porque o governo incentivou a renovação da frota, mas nenhum caminhão deixou de ser usado. E isso não é bom pra ninguém. Nós não caminhamos para a parte virtuosa da história”, disse. “E, claro, escancarou nossa dependência ao transporte rodoviário. Há uma necessidade urgente de mudança de matriz para conseguirmos compensar as perdas que o sistema nos impõe”, finalizou.