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Conhecimento que faz a diferença

Assistência técnica e de gestão da propriedade permite a cafeicultores familiares obter ganhos de produção, comercializar melhor sua safra e, com isso, melhorar de vida

Morguefile

Luiz Carlos Borges, cafeicultor de São Gonçalo do Sapucaí, no sul de Minas Gerais, caminhava orgulhoso na Femagri, a feira de máquinas da Cooxupé realizada em março em Guaxupé/MG. O contentamento era mais do que compreensível: seu café foi classificado em 1o lugar na categoria Cereja Descascado no concurso promovido pela Fundação Hanns R. Neumann Stiftung, da Alemanha, realizado em outubro de 2015. Com isso, Borges conseguiu preço diferenciado pela sua produção: R$ 1.480,00/saca, três vez a média regional.

Qual o segredo do sucesso? “O manejo da colheita e cuidados no pós-colheita”, explica o produtor.  Baseado em uma região montanhosa, que impede a mecanização e, assim, de custo elevado de produção mas, por outro lado, de bons cafés, Borges, como muitos dos vizinhos, costumava perder muito no pós-colheita. “Na nossa região, o diferencial é a qualidade, mas eu perdia qualidade no pós-colheita”, conta.

O uso de terreiros de terra ou mesmo de concreto acabavam prejudicando a qualidade dos grãos, que sujavam na terra ou fermentavam com a alta temperatura do concreto e a exposição às chuvas. Foi passar a lavar e a separar melhor os grãos, e investir no terreiro suspenso, que permite a areação e uma melhor secagem dos grãos, que sua bebida melhorou e obteve melhores classificações.

Técnicas essas que o cafeicultor aprendeu com o pessoal da Fundação Hanns R. Neumann Stiftung, entidade sem fins lucrativos que passou a atuar no Brasil em 2007 e hoje presta consultoria gratuita a 5.780 agricultores familiares de vinte municípios mineiros.

Afinal, ter acesso à informação e às novas tecnologias, administrar melhor sua propriedade e ter escala para melhor comprar insumos e vender sua produção sempre foram os maiores gargalos dos pequenos agricultores. Se se pensar que 70% das propriedades cafeeiras do Brasil são de pequeno porte, de até 20 hectares, e conduzidas no sistema familiar, o ganho pode ser muito grande para a nossa cafeicultura. E fazer diferença na vida de muitas famílias.

O sistema de assistência técnica coletiva prestada pela Fundação Neumann funciona da seguinte forma: os técnicos agrícolas vão à comunidade e dão orientações que vão de questões fitossanitárias e manejo do solo a colheita e pós-colheita. Se alguém não consegue ter seu problema atendido, passa para a assistência individual.

Os técnicos empresariais, por sua vez, dão assistência na parte de gestão, administração, compra de insumos e venda coletiva de café. Fazem, ainda a intermediação com empresas e torrefadoras, entre elas as internacionais ICP – International Coffee Partners, Starbucks, McDonalds, Paulig e InterAmerican Coffee, acesso que, sozinhos, provavelmente nunca teriam.café premium (reduzida)

Ganham os pequenos cafeicultores e também as empresas internacionais, que vendem a um consumidor exigente um café diferenciado, produzido por produtores familiares.  “A relação com as comunidades de cafeicultores familiares interessa aos torrefadores, que costumam pagar ágil, premiar e, com isso, fidelizar esses produtores”, explica Nathan Moura Carvalho, coordenador de Café e Clima da Fundação Neumann do Brasil.

Segundo Carvalho, o objetivo do programa é que os produtores aprendam as técnicas, se organizem e sejam sustentáveis, ou seja, não dependam mais da consultoria.

Além dos contatos com as torrefadoras, a Neumann faz parcerias, tanto com instituições de ensino, pesquisa e extensão rural, como a Universidade Federal de Lavras (UFLA), a EPAMIG e a EMATER, como com cooperativas como a Cooxupé, sendo com esta na assistência técnica integrada e na divulgação de suas Práticas de Adaptação às Mudanças Climáticas, entre os associados.

Preço diferenciado e lucro

Cristina Rappa

Nathan Carvalho (à esq.), da Fundação Neumann do Brasil, e o cafeicultor premiado Luís Carlos Borges

Dessa forma, o cafeicultor Borges, que diz ter “nascido na cafeicultura”, atividade já exercida por seu pai e que hoje cultiva 23 mil pés de café das variedades Bourbon Amarelo, Catucaí Amarelo e Mundo Novo em 8 hectares, já obteve o selo Fair Trade, que lhe abre mais portas e lhe permite vender a um preço diferenciado sua produção. “Vendo para os Estados Unidos, Austrália…”, diz.

Em 2015, seu lucro por cada uma das 22 sacas comercializadas foi de R$ 500,00. Parte desse valor ele está investindo em uma estufa, para evitar a fermentação dos grãos com o sereno. Depois de constatar a melhoria obtida com a passagem do terreiro de concreto para o suspenso, ele viu que vale à pena o investimento, de olho na conquista de novos prêmios e preços mais altos para a sua produção.

O progresso já acarretou mudanças em casa: a esposa, que antes fazia tapetes para complementar a renda da família, agora trabalha com ele, na torrefação e comercialização do café com a marca própria Café Canarinho. Entre os clientes, padarias e pequenos mercados da região.

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Êta cafezinho bom!