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Com redução do plantio nos EUA, Brasil será o maior produtor de soja em 2020

01/10/2008 - CHICAGO - EUA - EXPEDIÇÃO SAFRA - EXPEDIÇÃO CAMINHOS DO CAMPO NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA - EUA - IMAGENS DA COLHEITA DE SOJA - FOTO ALBARI ROSA / GAZETA DO POVO

Guerra comercial com a China motivou os produtores norte-americanos a reduzirem a área plantada com o grão em 1,7 milhão de hectares. Assunto foi debatido na 95ª edição do Agricultural Outlook Forum

Amauri Rosa/Gazeta do Povo

Colheita de soja em Chicago, nos EUA. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Redação*

O conflito comercial entre os Estados Unidos e a China pode beneficiar o Brasil. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a área cultivada com soja naquele país caiu 5% em comparação ao último ciclo, o que equivale a uma redução de 1,7 milhão de hectares. Como consequência, a produção brasileira já será líder mundial no ciclo 2019-2020, com 130 milhões de toneladas – contra 128 milhões de toneladas dos vizinhos do norte. Esse foi um dos temas abordados na 95ª edição do Agricultural Outlook Forum, que aconteceu nos dias 21 e 22 de fevereiro, em Arlington, estado da Virgínia (EUA), e que é coberta pela Expedição Safra pelo décimo ano.

Sem negociação com os EUA, a China buscou no Brasil seu principal fornecedor de soja. Somente em 2018, os chineses importaram do nosso país 69 milhões de toneladas da oleaginosa, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Esse montante equivale a 84% da produção nacional dessa cultura, registrada em 83,6 milhões de toneladas neste ciclo.

“Para os norte-americanos, os prejuízos com esse conflito devem ficar na casa de US$ 7,9 bilhões. A expectativa é que o país aposte ainda mais no cultivo de milho, que vem registrando altas consecutivas em seu preço, devendo crescer cinco centavos por bushel nesta próxima safra. Com isso, a área cultivada dessa cultura deve crescer 3,3%, chegando a 37,2 milhões de hectares”, explica o coordenador da Expedição Safra e gerente do núcleo de agronegócio da Gazeta do Povo, Giovani Ferreira.

Novos parceiros comerciais

Ainda segundo Ferreira, o Brasil não pode se acomodar com esse cenário comercial favorável. Com a volatilidade dos acordos chineses, concentrar quase toda sua produção em um único exportador pode trazer sérios prejuízos ao setor. “É importante que nossas exportações sejam diversificadas. Neste ano, a China sobretaxou o frango brasileiro, por exemplo. Buscar acordos com novos centros, como a União Europeia, é fundamental para a estabilidade da produção nacional dessa cultura”, diz Ferreira.

Outro tema debatido no evento foi a busca da melhoria das relações diplomáticas entre os EUA e seus vizinhos México e Canadá. Nos últimos anos, houve estreitamento do comércio entre brasileiros e mexicanos, com a habilitação de 26 plantas frigoríficas avícolas nacionais para exportação aos hispânicos, além de eles terem iniciado a importação do milho do Brasil a partir de 2017.

*com informações da Expedição Safra.