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CNA reúne presidenciáveis para discutir propostas ao setor

Marina Silva

Na ocasião, foi entregue aos candidatos o documento “O Futuro é agro”, com Plano de Estado para os próximos 12 anos

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou ontem (29) em sua sede em Brasília/DF o “Encontro com os Presidenciáveis”. Com a presença de produtores rurais e representantes da cadeia do setor, o evento recebeu respectivamente os candidatos Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), Álvaro Dias (Podemos) e Marina Silva (Rede Sustentabilidade) para que apresentassem suas propostas e respondessem a questões de jornalistas e participantes.
De acordo com a entidade, todos os presidenciáveis foram convidados, mas somente quatro compareceram. A ordem das apresentações foi definida por sorteio.

Na ocasião, também foi entregue o documento “O Futuro é agro – 2018 a 2030” aos candidatos. “Esta é a primeira vez que o agro e as cidades se unem para fazer um Programa de Estado para os próximos 12 anos”, disse o ex-ministro da Agricultura e coordenador do trabalho, Roberto Rodrigues. “A ideia surgiu na USP e foi trazida para a CNA. O Agro está fazendo uma oferta ao governo brasileiro”, completou. O Programa foi elaborado por 15 consultores.

Aliança para governar

Geraldo Alckmin

O candidato pelo PSDB, Geraldo Alckmin, defendeu que para resolver a questão financeira do País, duas medidas são primordiais. “A primeira é a redução de despesas e a segunda, a reforma tributária”, disse. “Atrelado a isso, investimento para o Brasil crescer e voltar a ganhar confiança”, acrescentou.

“Se não abrirmos o comércio, vamos perder competitividade”, disse Alckmin ao ser questionado a respeito da guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos. “É preciso que tenhamos simplificação tributária, colocar os bancos para competir, desburocratizar. O comércio é o caminho para a paz, para o emprego e o desenvolvimento. O protecionismo comercial é um grande equívoco. Temos de defender o produto brasileiro e fazer acordos comerciais. Se não fizermos isso, vamos perder mercado”, defendeu.

Quando lhe foi perguntado sobre propostas para diminuir a violência no campo, Alckmin foi incisivo. “Sou favorável ao porte de arma para quem mora no campo. Só quem não morou na área rural, não sabe o que é”, disse. “Máquinas, insumos não são baratos. Mas, é claro que isso não pode tirar a responsabilidade do governo”. Falou de uma guarda nacional permanente, que unisse Forças Armadas, Agência Brasileira de Inteligência, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, além de parcerias com os municípios. “É preciso uma polícia especializada na área rural”.

Experiência para fazer a Economia crescer

Ao falar sobre o momento fundamental para o País, o candidato ao MDB, Henrique Meirelles, disse que o agronegócio é um setor que tem demonstrado excelência para a Economia, apesar das dificuldades. “Imagina se estivéssemos bem?”, disse. “Isso significa que temos uma possibilidade de crescimento enorme”, disse o ex-ministro.

Henrique Meirelles

Ele também falou sobre a participação do Brasil no mercado externo. “Temos sim de abrir mercado, adicionar valor aos nossos produtos e incentivar políticas de governo integradas, com tecnologia e diminuição de carga tributária”, disse.

Meirelles reforçou sua experiência em âmbito econômico nacional. “É preciso lembrar que na época em que Lula foi presidente, em que a Economia cresceu, quem estava no comando do Banco Central era eu. Eu sei como fazer a Economia crescer. Posso perder seu voto, mas ganho seu respeito com competência, honestidade, seriedade e experiência”, finalizou.

Trajetória na oposição

“Governos nunca entenderam a importância, a grandeza e a força que impulsionam o desenvolvimento deste País porque todos foram governos urbanos”. Assim iniciou a fala, o candidato pelo Podemos, Álvaro Dias.

Na sequência, Dias falou a respeito de problemas que assolam o setor, como insegurança jurídica, ineficiência no escoamento de safra, burocratização, falta de apoio a pequenos e médios produtores. “No campo somos imbatíveis, mas na hora de exportar há muitos problemas”, disse.

Álvaro Dias

Para o candidato, os investimentos externos no País se esvaíram por conta da corrupção. “Há uma relação promíscua do nosso sistema político com o financeiro. A reforma política precisa ser a matriz de todas as reformas”, acredita.

“Nosso país tem contrastes gritantes e perturbadores. Há ilhas de prosperidade em meio a oceanos de pobreza e miséria”, disse. “Além das reformas essenciais, é preciso investimento pesado em educação básica”, completou.

“Em 42 anos de vida política sempre fui um contestador. Mudei de sigla várias vezes para que não tivesse de barganhar com minhas convicções pessoais”.

Compromisso ético para transformar realidade

“Éramos o país do pleno emprego e hoje temos 13 milhões de desempregados, sem falar no aumento do número de pobres e miseráveis”, disse Marina Silva, candidata pelo Rede Sustentabilidade, ao falar sobre as consequências de os últimos governos não terem medido o risco político de suas ações.

Marina Silva

Em seguida, a ex-ministra falou sobre a importância do setor para a Economia e o desenvolvimento do país. “Nossos produtores estão maduros para o desenvolvimento de uma agropecuária produtiva e sustentável. Temos capacidade e competência técnica. Por isso, defendo crédito, apoio para que os agricultores possam fazer o que sabem”, disse.

“Mas é preciso lembrar que neste universo há 3 milhões na pobreza e na extrema pobreza, e que portanto, não têm acesso à tecnologia. Tenho um compromisso ético em transformar essa realidade”, disse Marina.

A candidata destacou como suas prioridades para o setor o seguro rural, incentivo à assistência técnica e segurança jurídica. “Somos gigantes pela própria natureza. Mas é preciso nos agigantarmos pela decisão que tomarmos”, finalizou.