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CNA propõe medidas para reduzir criminalidade no campo

Jugmann recebe o Estudo de João Martins, da CNA

Wenderson Araújo/CNA

Entidade apresentou ao ministro Raul Jungmann, da Segurança Pública, e ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, estudo que aponta o grave quadro de insegurança no meio rural e traça propostas para o combate e o efetivo enfrentamento da violência que atinge produtores, familiares e trabalhadores rurais. Governo anuncia comissão conjunta para debater o tema

Redação*

Jugmann recebe o Estudo de João Martins, da CNA

Jugmann recebe Estudo de João Martins, da CNA

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, entregou nesta quarta-feira, 09, o Estudo sobre a Criminalidade no Campo, elaborado pelo Instituto CNA (ICNA), que apresenta propostas e busca o apoio do Poder Público para reduzir a ocorrência de crimes no campo, que têm sido cada vez mais comuns. “No passado, as famílias podiam ir para sua propriedade, com a segurança de que não haveria roubo de máquinas, animais, fertilizantes; isso não existe mais”, disse Martins, em nota.

Uma das medidas defendidas pelo presidente da CNA é um trabalho mais ostensivo da polícia no campo. “É ter uma vigilância constante da polícia, que está totalmente desestruturada. Se nas capitais ainda existe alguma estruturação, no campo a estruturação é a menor possível”, afirma Martins. 

Após receber o documento, o ministro Raul Jungmann anunciou a criação de uma comissão mista entre Ministério e Confederação para elaborar um programa para combater a criminalidade no meio rural. “O nosso papel será desenvolver de forma conjunta um programa de combate à violência no campo e já, a partir desta semana, iniciaremos os trabalhos para formar um cronograma de trabalho”, disse o ministro, que afirmou que o documento da CNA servirá de parâmetro para as discussões da comissão.

Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), destacou que o combate à violência no campo deve fazer parte da pauta de segurança pública no Legislativo. O documento também foi entregue à presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputada Tereza Cristina (DEM-MS), aos deputados Nilson Leitão (PSDB-MT) e Marcos Montes (PSD-MG) e à senadora Ana Amélia (PP-RS).

Demandas do setor

As demandas do setor produtivo preveem, entre outros pontos, a padronização e a publicidade detalhada de informações sobre a ocorrência de crimes no campo, ações e programas específicos para a zona rural, projetos de prevenção e controle da criminalidade, além da criação de unidades especializadas de prevenção e combate às infrações.

No documento, a CNA pede também metas do poder público de redução da violência no campo e um conjunto de leis ao Legislativo para ajudar a enfrentar este desafio de redução dos crimes, além da criação de uma Ouvidoria Nacional específica para o campo, para esclarecer dúvidas e fazer críticas e sugestões à atuação dos órgãos.

Para traçar um cenário sobre a situação, a entidade criou no ano passado o Observatório da Criminalidade no Campo, que reúne denúncias e os tipos de crimes cometidos nas propriedades, que podem ser feitas sob sigilo pelo site www.cnabrasil.org.br ou pelo WhatsApp (61) 99834 7773.

Para a CNA, é extremamente importante que o produtor denuncie para que haja subsídios para propor políticas públicas para com bater a violência no campo. O Instituto CNA (ICNA) realizou amostras em 17 estados a partir das denúncias feitas ao Observatório. Os primeiros resultados mostram que os furtos representaram 49% dos crimes ocorridos, seguidos por roubos (33%), depredação (12%), assassinatos (35) e queimas (3%). 

Das infrações praticadas, 54% ocorreram em propriedades de pecuária de corte e leite. Em seguida vêm grãos (13%), frutas (3%) e verduras e legumes (1%). Outro lado relevante constatou que 74% dos crimes foram em propriedades de até 500 hectares.

* com informações da CNA.

Foto: Wenderson Araújo/CNA

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