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Brasileiro não se reconhece como desperdiçador de alimentos

É o que aponta um estudo realizado pela Embrapa com a FGV. Cultura da “fartura” aparece como uma das causas do problema

Um dado há muito divulgado pela FAO, mas não menos impactante toda vez que é citado é o de que a perda global de alimentos equivale a 30% de toda produção, ou 1,3 bilhões de toneladas/ano. Deste montante, só o Brasil desperdiça 10% – 26,3 milhões de ton/ano. As principais causas do problema estão relacionadas a armazenamento, embalagem, manuseio e transporte.

Para tentar entender o desperdício gerado pela ponta desta cadeia alimentar e gerar estratégias de ação para combatê-lo, a Embrapa em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizou uma pesquisa neste ano, que ouviu 1764 famílias de diferentes classes sociais e de todas as regiões do País. Dividida em três etapas, na qual a primeira, qualitativa, observou o hábito de consumo das pessoas no supermercado; a segunda, aplicou um questionário referente ao diário alimentar e a terceira foi responsável pela análise de conteúdo divulgado na internet sobre o desperdício, apontou que a dupla preferida dos brasileiros – arroz e feijão – representa cerca de 38% do montante de alimentos jogado fora no Brasil. Dentre os mais desperdiçados estão arroz (22%), carne (20%), feijão (16%) e frango (15%).

“O estudo nos mostrou que fatores como renda, idade e região do entrevistado não são determinantes para o desperdício”, contou Gustavo Porpino, analista da Embrapa e líder do projeto na instituição. “Para o brasileiro, o que tem importância quando o assunto é alimentação é o sabor (94%); que a comida seja fresca (77%) e que a dispensa esteja cheia (68%), por exemplo. É a cultura da fartura que permeia todo esse processo, que vai da compra ao consumo”, completou.

O pesquisador destacou também que além deste traço cultural, fatores como o não planejamento das refeições e o não aproveitamento da sobra justificam o problema, apesar de 88% dos entrevistados considerar o desperdício uma questão importante.

O inferno são os outros

O estudo também apontou que a maioria das pessoas não se reconhece como desperdiçador ou potencial desperdiçador de alimentos, mas que 43% dos entrevistados concordam que “os conhecidos jogam comida fora regularmente”. “Este é um problema utópico e que exige uma mudança comportamental. Por isso, a necessidade de investimento em ações de educação e comunicação a longo prazo”, pondera Porpino.

“É preciso que sejam delineadas atividades mais precisas, com campanhas nacionais mais abrangentes e que haja um debate público a respeito do assunto para que coloquemos isso na pauta de projetos de políticas públicas”, disse.

foto – Daniel Cymbalista/Pulsar Imagens