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APTA desenvolve cultivar de café robusta para cultivo em SP

Cristina Rappa

Mistro, do IAC: opção para indústria e pequenos cafeicultores

Pesquisas da Regional de Adamantina, em conjunto com o IAC, visam dar opção às indústrias e aos cafeicultores paulistas

Cristina Rappa

Mistro, do IAC: opção para indústria e pequenos cafeicultores

Quem visitava o espaço da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo podia degustar, deixar de lado o preconceito e comprovar: o café conilon ou robusta (espécie Coffea canephora) já apresenta boa qualidade. Na feira, a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) apresentou plantas de robusta e serviu blends dessa espécie e do arábica, para desmistificar a fama de má qualidade e apresentar as pesquisas para o desenvolvimento de cultivares de robusta adaptados às condições do Estado.

Com o crescimento da demanda pelo robusta pelas indústrias de café expresso, cápsulas e outras bebidas à base de café, a APTA e o Centro de Café do Instituto Agronômico (IAC) têm se dedicado a desenvolver pesquisas para selecionar clones de robusta adaptados às condições paulistas. “A maior parte das torrefadoras e indústrias de café solúvel estão em São Paulo. Por que não oferecer o produto aqui, o que implica em menor custo, do que ter que trazê-lo do Espírito Santo?,” explica o pesquisador Júlio Cesar Mistro, responsável pelo projeto no IAC.

As pesquisas tiveram início em 2008 no IAC, que sugeriu que a região de Adamantina, no centro-oeste de São Paulo, buscasse clones de bons materiais de robusta do Espírito Santo, dos quais foram selecionados seis, posteriormente cruzados com o cultivar Apoatã IAC 2258, desenvolvido pelo Instituto. Desde então, têm sido feitos estudos de desempenho agronômico dessas plantas em propriedades rurais de Adamantina e Lins.

De acordo com Mistro, a região centro-oeste do Estado, com temperaturas médias de 23oC e altitude de 400 metros, não é ideal para o arábica, que deve ser cultivado em locais mais altos e com temperaturas mais amenas, resultando em bebida inferior à produzida em Franca, na Alta Mogiana, por exemplo. “Assim, o robusta pode ser boa alternativa de renda para o pequeno cafeicultores da região de Adamantina”, diz.

Os novos clones não decepcionaram e resultados preliminares têm sido satisfatórios, informa o pesquisador do Polo Regional de Adamantina da APTA, Fernando Nakayama: na primeira safra, em 2016, a média de produção dos seis clones foi de 83 sacas/hectare, em área irrigada.

Todavia, como o café é uma planta perene, o plantio comercial da nova variedade de robusta resultante desta pesquisa só deverá estar disponível para plantio comercial entre 12 e 15 anos. “Esse período porque é robusta; se fosse arábica, o processo ainda seria mais demorado”, consola Mistro, do IAC, diante do espanto da repórter.

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