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Ampla oferta deve continuar pressionando preços do café

Sergio Ranalli/Pulsar Imagens

Vista de drone de trabalhador rural abanando café durante a colheita Local: Santa Mariana PR Brasil Data: 201806 Código: 07SR048 Autor: Sergio Ranalli

Cotações da commodity passam por um momento de baixa histórica

Ronaldo Luiz

Sergio Ranalli/Pulsar Imagens

Vista de drone de trabalhador rural abanando café , em Santa Mariana/PR

O café passa por um momento de baixa histórica de preços, que registram queda contínua desde janeiro deste ano. O principal motivo para a forte desvalorização da commodity no mercado internacional é o sentimento de ampla oferta mundial do produto entre os agentes do mercado. O diagnóstico foi feito por Fernando Maximiliano, analista de inteligência de mercado da INTL FCStone, durante o Coffee Summit, realizado pelo Cecafé nesta quarta-feira (29), em São Paulo.

Segundo Maximiliano, os principais fundamentos que elevam a disponibilidade de café em nível global são: safras em crescimento nos principais países produtores, entre os quais, claro, o Brasil; estoques de passagem altos [cerca de 2,4 milhões de sacas certificadas na bolsa de Nova Iorque] e um movimento significativo dos fundos de investimento em se desfazerem de seus contratos negociados nas bolsas internacionais.

“Desde 2010, a demanda está estável e a oferta cresce, cenário que em médio prazo tende a continuar”, disse.

Países produtores

Mesmo com uma expectativa de produção menor neste ano – prevista para cerca de 53 milhões de sacas, devido ao ciclo de bienalidade negativa em 2019 -, o analista destacou que a safra brasileira vem crescendo anualmente em torno de 2% desde 2006, apresentando ganhos de produtividade próximos a 4,4%. Além disso, segundo ele, o parque cafeeiro nacional está sendo renovado, o que sustenta a estimativa de manutenção de boa oferta para os próximos anos.

No que diz respeito aos dois outros principais países produtores, Maximiliano que a safra 2019 do Vietnã deverá chegar a 30,4 milhões de sacas. O país asiático é focado na variedade conilon.

De acordo com o analista, a Colômbia – terceiro maior produtor – é que passa pelo momento mais delicado. “Eles têm um modelo diferente do que o nosso, com possibilidade de mais de uma safra por ano, e os preços de venda já não estão mais cobrindo os custos de produção”, salientou. A produção colombiana em 2019, baseada na variedade arábica, deve alcançar cerca de 14,3 milhões de sacas.

Países importadores

Entre os principais importadores [Estados Unidos, Europa e Japão], Maximiliano disse que, na verdade, a maior demanda deverá vir da Ásia, especialmente da China, que hoje ocupa o sétimo lugar no ranking.

Projeções indicam que a demanda no continente asiático e também na Oceania vem crescendo cerca de 4% ao ano desde 2006 e na China o percentual sobe para 14%. “A China pode ser o fiel da balança para a diminuição dos estoques”, conclui.

Foto: Sérgio Ranalli/Pulsar Imagens.