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Indústria e ambientalistas rejeitam liberar plantio de cana na Amazônia

A Unica, que representa a indústria do etanol, diz ser contra a ideia, apontando riscos à imagem do combustível no exterior. Ambientalistas temem aumento do desmatamento. PLS 626/2011 pode ser votado a qualquer momento

Redação*

Colheita de cana de açúcarO cultivo de cana-de-açúcar na Amazônia, proibido há nove anos, corre o risco de voltar, dependendo da votação que está para acontecer no Senado Federal do PLS 626/2011, de autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA). O projeto de lei prevê a reversão de decreto sobre zoneamento agrícola, de 2009, e pede liberação do plantio da gramínea na Amazônia Legal, em áreas já degradadas de floresta e em trechos de cerrado e campos gerais dos estados que compõem a região.

Apesar do apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que vê benefícios econômicos no projeto, o PL conseguiu diversas opiniões contrárias à sua aprovação. A União da Indústria de Cana de Açúcar – Unica rejeita a proposta por considerá-la prejudicial à imagem do etanol no exterior. A entidade tem feito lobby no Congresso e endossou publicamente posicionamento da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, grupo que reúne o setor produtivo e organizações ambientalistas.

“Esse PL contraria os esforços feitos pelo governo federal, setor produtivo e sociedade rumo à produção sustentável de cana-de-açúcar no país”, diz o posicionamento da Coalizão. Caso seja aprovado, “poderá provocar forte pressão por desmatamento no bioma” e ” “colocar em risco mercados já conquistados”.

Para os representantes da indústria sucroalcooleira, “o Brasil precisa focar em promover aumento da produção de bioenergia e biocombustíveis nas atuais áreas não aproveitadas, de forma aliada à preservação ambiental”, diz ainda o comunicado do grupo, que diz acreditar que “a criação de empregos de qualidade [na Amazônia] só poderá ser atingida por meio da economia de baixo carbono”.

Desmatamento

Nesta 2a f, 26, 40 entidades ambientalistas como WWF, SOS Mata Atlântica, Observatório do Clima, Instituto Socioambiental e  Greenpeace, divulgaram carta de repúdio ao projeto por acreditarem que, ao alterar o zoneamento, ele ampliará o desmatamento na Amazônia e comprometerá o cumprimento das metas do Brasil no Acordo de Paris, sobre o clima.

Diz o documento das ONGs ambientalistas: “Permitir o cultivo na Amazônia, mesmo que em áreas degradadas, significa acrescentar mais um motor ao desmatamento na região: a pecuária será empurrada para novas áreas para dar lugar à lavoura, estimulando a devastação onde hoje deveria haver aumento de produtividade”.

* com informações da Unica, da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, e da WWF-Brasil.