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Alta incidência de ferrugem do cafeeiro preocupa

Doença pode rezuri 35% da produção. Foto:Ernesto Reghran/Pulsar Imagens

Doença pode derrubar a produção em até 35% e reduz a vida útil da lavoura, alertam os Institutos Agronômico (IAC) e  Biológico (IB). Altas temperaturas e chuvas não uniformes agravam o problema

Redação*

Ernesto R

Doença pode reduzir até 35% da produção. Foto:Ernesto Reghran/Pulsar Imagens

Pesquisadoras do Instituto Agronômico (IAC) e do Instituto Biológico (IB), ambos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, alertam os cafeicultores paulistas sobre a antecipação dos danos causados pela ferrugem do cafeeiro na safra de 2018-2019. A principal doença da cultura está amplamente distribuída em todas as regiões cafeicultoras do Brasil, podendo reduzir a produção em até 35%. Causada pelo fungo Hemileia vastatrix, ela forma lesões amareladas na face inferior das folhas, levando-as à queda e debilitando a planta, que não consegue formar os botões florais da safra seguinte, reduzindo a produção.

Segundo as pesquisadoras Angelica Prela Pantano, do IAC, e Flávia Rodrigues Alves Patrício, do IB, por ser a ferrugem muito dependente do clima, a epidemia pode variar em cada região em que o cafeeiro é cultivado no Brasil. “Este ano a doença está muito agressiva em função do clima que tem altas temperaturas e chuvas desuniformes, foi muita chuva em novembro e pouca em dezembro, quando esquentou muito”, comenta Angelica sobre as condições que favorecem a disseminação do fungo causador da ferrugem. 

De acordo com a pesquisadora do IB, a epidemia de ferrugem, em geral, inicia-se em dezembro, e pode se manifestar até o inverno, quando a temperatura começa a decrescer. As condições climáticas que favorecem a ferrugem são temperaturas entre 20ºC e 22oC e chuvas acima de 30 mm. Temperaturas máximas médias mensais acima de 30oC e mínimas médias mensais abaixo de 15oC desfavorecem a ocorrência. 

Este ano, os volumes de chuva em janeiro, quando costuma chover mais, foram inferiores aos esperados. Em alguns locais – como Franca, Mococa e Caconde – os volumes esperados eram de 281 mm, 275 mm e 247 mm, mas foram registrados 65,5 mm, 105,2 mm e 45,3 mm, respectivamente. No ano anterior, nesse mesmo mês, a precipitação pluviométrica registrada foi de 193 mm, em Franca, e de 250 mm em Mococa e Caconde

Tratamento

A maioria dos cafeicultores brasileiros realiza, rotineiramente, tratamentos com fungicidas para o manejo da ferrugem do cafeeiro em lavouras instaladas com cultivares suscetíveis. As pesquisadoras acreditam que o calor que ocorreu em janeiro deste ano em todas as regiões cafeicultoras paulistas deve ter contribuído para inibir o progresso da doença no período. “No entanto, o fato de haver inóculo em plantas sem tratamento, ou com tratamento deficiente, indica que os produtores devem estar atentos para o ressurgimento da doença assim que as condições climáticas se tornarem mais favoráveis”, afirma, em nota, Flávia, do IB, que orienta os produtores a não reduzir o número de aplicações, mas sim diminuir o intervalo entre elas, caso as condições climáticas estejam favoráveis à ferrugem novamente. 

Nos levantamentos realizados pelos pesquisadores do IAC e do IB na safra de 2018-2019, causam preocupação as elevadas incidências de ferrugem já em janeiro nas regiões de Campinas, Franca e Caconde. Foi observada a doença, nas áreas sem tratamento, em 44,4% das plantas da cultivar Catuaí, em Campinas, em 32% da cultivar Mundo Novo, em Franca, em de 33% e 53% nas cultivares Catuaí e Mundo Novo, respectivamente, em Caconde. “Apenas em Mococa, região mais quente que as demais, as folhas com ferrugem encontradas em novembro caíram e a ferrugem ainda não está ocorrendo nas áreas sem tratamento”, afirma Flávia.

Por ser composta por um pó, a ferrugem tem fácil disseminação por vento e umidade. “A folha doente cai no chão e o fungo permanece vivo; ao nascer uma nova folha ela já é contaminada”, explica a pesquisadora do IAC. A ferrugem ataca somente as folhas, não incide sobre os frutos, mas ao causar a desfolha, compromete a safra do ano seguinte. Isso porque a planta gasta sua energia para fazer o novo enfolhamento, recurso este que deveria ser usado para a produção de fruto. “Assim, não terá fruto, por isso o prejuízo acontece na próxima safra”, resume Angelica.

Há os cafeicultores que atuam preventivamente e iniciam o controle químico em novembro, totalizando, por safra, quatro pulverizações, sendo uma via solo e três foliares. O custo desse controle é de R$ 140,00 a R$ 180,00, por hectare, somente com os produtos, sem considerar a mão de obra. Em geral, o manejo preventivo é adotado por fazendas que miram o mercado de exportação. No município de Franca, por exemplo, há propriedades com esse perfil que fazem o controle rigoroso, com calendários de aplicações, tendo ou não a doença. O resultado é bastante positivo: apenas cerca de 3% de plantas contaminadas na época de pico da doença.

As pesquisas mostram que sem o tratamento preventivo, a incidência da ferrugem aumenta. “Sobra inóculo para o próximo ano e causa a desfolha da planta”, alerta Angelica.

*com informações da assessoria de imprensa do IAC