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Agtechs no caminho da inovação agrícola

foto - Ernesto Reghran - Pulsar Imagens

Mesmo representando um universo pequeno dentro das startups, novos empreendimentos do agro enxergam boas perspectivas de crescimento para este ano

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Foto: Ernesto Reghran/Pulsar Imagens

“Apesar de não sermos educados a empreender, passamos por um momento em que nunca esteve tão fácil ser empreendedor. Há um movimento crescente de startups hoje. E isso se deve muito ao sucesso que algumas tiveram e também ao período de crise econômica, que se apresenta como uma oportunidade para aqueles com ideias inovadoras”, analisa Maikon Schiessl, diretor do Comitê de Agtechs (startups voltadas ao agronegócio) da Associação Brasileira de Startups (ABStartups). “Hoje a troca de informação é muito maior; é fácil encontrar pessoas que se dispõem a serem mentoras e isso diminui bastante a chance de erro de um novo negócio”, completa.

Schiessl acredita neste exponencial crescimento de startups como um reflexo da própria associação. “Nascemos em 2011 com o objetivo de fomentar startups por meio de colaboração, conhecimento e networking. Em cinco anos, tivemos de criar comitês direcionados aos diversos setores que nos procuram. Hoje, temos mais de 4.200 associados”, conta.

De acordo com último relatório da ABStartups, 86% dos novos empreendedores não recebeu investimento algum. Trinta e oito por cento dos associados têm dois anos de vida, 27%, três anos e 13%, quatro. A região sudeste lidera com maior número de startups, com São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro à frente. Em relação aos interesses, Internet e Educação aparecem com 12%, cada; Comunicação e Mídia, 8% e Agronegócio, somente 2%.

Agro é tech

“Quando falamos em agronegócio, estamos falando de um setor com muitas especificidades. Há um mercado pulverizado em todo o país, mas cada região tem sua característica; o Sul, geralmente, é mais tecnificado, o Nordeste, nem tanto”, diz Schiessl. As startups para este setor têm ou apresentado softwares que auxiliam o produtor na gestão da propriedade ou referem-se a soluções químicas e/ou biológicas.

Enxergando oportunidade em um mercado ainda muito pouco explorado no País, a startup Gênica Inovação Biotecnológica nasceu da união de três expertises – um empresário, um pesquisador e outro, especialista do setor de agronegócio. Criada em 2015, a Gênica oferece biodefensivos. “O ambiente já mostrou sinais de resistência a soluções químicas. Acreditamos no controle de pragas por meio do manejo integrado”, diz Patrick Vilela, engenheiro agrônomo e diretor executivo da startup.

Apesar de a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio) ter projetado um crescimento de 10% a 12% no mercado de biodefensivos no mundo para este ano, a Gênica tem uma expectativa de incremento de 50% em 2018. Em 2017, seu faturamento foi de R$ 5 milhões. “Há uma demanda mundial por menos resíduos químicos nas lavouras. Além disso, as multinacionais já perceberam que só o uso de moléculas não está resolvendo o problema de pragas e, por isso, estão investindo também na solução biológica”, diz Vilela. “O biodefensivo além de ser mais barato, gera lucro ao produtor. Não queremos vender milagre e sim, tecnologia aliada ao conhecimento”, completa.

“Nossas soluções hoje têm maior abertura para cultura de commodities – soja, milho, algodão, café e cana-de-açúcar, mas podem ser usadas para qualquer cultura. Nosso maior desafio é atingir também pequenos e médios produtores”, anseia Vilela. Em 2017, a empresa recebeu um aporte de R$ 6 milhões de uma gestora de fundos de investimento especializada em agronegócio.

Também com uma projeção de crescimento de 50% para este ano, a startup Agritask, de origem israelense e presente no País desde 2015, aposta em software de gestão (com mesmo nome da empresa). “O sistema é extremamente simples e pode ser usado por qualquer um. O Agritask é uma plataforma que une todas as informações importantes para tomada de decisões do produtor”, diz Marcelo Maidantchik, sócio-diretor da Agritask, no Brasil. Até agora, a maior parte dos clientes da empresa concentra-se em Mato Grosso e no Sul do Brasil. “Devemos expandir também no Nordeste e na região do MATOPIBA”, projeta.