Capital humano
30 de julho de 2019
Futuro do agronegócio está na integração entre sustentabilidade, inovação e conectividade
6 de agosto de 2019

Agronegócio brasileiro demanda ações para reforçar sua imagem

Apesar da importância do setor para a economia brasileira e segurança alimentar mundial, sociedade ainda questiona impactos na saúde e meio ambiente. Notícias negativas têm crescido na mídia internacional, alertam debatedores no Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado nesta 2a f, 05, em SP

Marcello Brito, da ABAG: “percepção negativa pode prejudicar o agronegócio brasileiro”

Gerardo Lazzari/ABAG

A ministra Tereza Cristina

“A nossa tecnologia dos trópicos e o empreendedorismo dos agricultores contribuíram para essa realidade, garantindo a segurança alimentar nacional e alimentado 1,2 bilhão de pessoas no mundo”, afirmou a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Tereza Cristina, durante a solenidade de abertura do Congresso Brasileiro do Agronegócio, uma realização conjunta da ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio e da B3 – Brasil, Bolsa, Balcão, realizado na segunda-feira, 05, em São Paulo.

Tereza Cristina reconheceu, no entanto, que a agricultura brasileira vem sendo questionada e que carece de uma comunicação eficiente sobre o que vem sendo feito pelo setor, seja do ponto de vista ambiental como no aspecto da segurança alimentar. “Nessa fase de transição pelo qual passamos, precisamos estar integrados, precisamos de ações unificadas a favor do agronegócio e do Brasil. E isso passa por uma boa comunicação, com todos falando na mesma direção”, disse ela. “A fila dos registros [de agrotóxicos] anda rápido para trazer tecnologia e segurança; não o atraso, como querem parecer alguns…”, completou, abordando um dos aspectos questionados pela sociedade: o grande número de defensivos agrícolas aprovados neste ano, desde o início do governo Bolsonaro.

O presidente da ABAG, Marcello Brito, concordou com o posicionamento da Ministra da Agricultura pela uniformização da comunicação do agronegócio nacional. “Os temas mais deliberados nos últimos meses em nosso segmento foram: desmatamento, acordo entre a União Europeia e o Mercosul e a liberação dos agroquímicos”, disse. “Porém, as informações divulgadas não refletem, necessariamente, a realidade do nosso setor, o que faz com que haja uma percepção negativa acerca do trabalho realizado por toda a cadeia produtiva”, acrescentou, dizendo que a comunicação do agronegócio não está sendo feita de maneira assertiva e que “a percepção ganha mais força do que a realidade”.

Nos dois painéis seguintes, realizados pela manhã no Congresso, o tema sustentabilidade voltaria à tona. Na apresentação do chairma da Cofco International, grupo chinês que é uma das maiores tradings de commodities do mundo, Jingtao Chi, a preocupação ambiental é crescente em seu país, que prevê investimentos para recuperar milhões de hectares de áreas de florestas. “Vivemos uma transição na agricultura mundial para um modelo mais sustentável”. O executivo anunciou que a Cofco tem adotado ações para estimular e premiar produtores que preservam o meio ambiente. 

Entraves

Depois de citar a ineficiente estrutura logística (queixa, aliás, recorrente nos Congressos do Agronegócio), as limitações do crédito rural e as questões tributárias como entraves ao avanço ainda maior do nosso agronegócio, Roberto Brandt, presidente do Instituto CNA, ligado à Confederação Nacional de Agricultura, reforçou a preocupação manifestada por Marcello Brito sobre a crescente má imagem do setor sob o ponto de vista ambiental. “A maneira como estamos [o Brasil] lidando com os conflitos está gerando uma imagem extremamente negativa do agro brasileiro no mundo. Há o crescimento das notícias negativas no mainstream da imprensa internacional, não radical, como The New York Times, The Economist e Washington Post“, reclamou. “O destino do agro brasileiro é continuar crescendo e se expandindo e não de negar a realidade e criar conflitos”, completou, questionando: “garimpar em terra indígena serva a quem?”.

Os demais debatedores desse painel – Lair Hanzen, presidente da Yara Brasil, Bernardo Appy, ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda e diretor do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF), e Jorge Buzzetto, diretor de Operações da Syngenta Brasil – foram unânimes em reclamar da infraestrutura, dos tributos altos e que se sobrepõem e da instabilidade do ambiente regulatório. “As falhas da infraestrutura impõem um pedágio muito alto para se fazer negócios no Brasil”, reclamou Hanzen, da Yara, que ainda mencionou a tabela do frete dos caminhoneiros e o alto custo do gás como entraves.

Appy: “a reforma tributária vai beneficiar duplamente o agro brasileiro”

Appy defendeu o projeto de reforma tributária que está para ser aprovado no Congresso. “O consumidor, especialmente o de baixa renda, vai ser o principal beneficiado da reforma”, assegurou, completando:”além do crescimento do País como um todo”. O especialista criticou o imposto sobre movimentações financeiras, um dos projetos em discussão, classificando-o de “extremamente nocivo”. A reforma tributária vai beneficiar duplamente o agronegócio brasileiro, em sua opinião, ao tornar o setor mais competitivo e garantir mais renda à população.

Sobre as questões ambientais e a polêmica sobre o desmatamento, Hanzen foi enfático: “posições extremadas não levam a nada. Deve-se ir pelo diálogo”. No que concordou Buzzetto, da Syngenta, perguntado pelo mediador, o jornalista William Waack, sobre qual conselho daria ao presidente do Brasil: “Ouça os principais atores que fazem a riqueza deste país”.

O executivo da Syngenta revelou que a empresa, ciente da crescente preocupação ambiental, está mudando a sua comunicação e reforçando as mensagens sobre recuperação de áreas degradadas, por exemplo. No que Hanzen emendou: “o nome do jogo é produtividade; não precisa desmatar mais para produzir mais”.

Acordo Mercosul-UE

A sustentabilidade se transformou em uma pauta fortíssima contra o Brasil e uma questão que se tornou essencial para viabilizar o acordo fechamento recentemente entre Mercosul e União Europeia. A avaliação foi feita por Ingo Plöger, diretor da Abag, na coletiva de imprensa realizada durante o evento. Plöger destacou que o momento é de reforçar a comunicação do setor com a sociedade e com o mercado internacional, pois o País está diante da concretização de um acordo costurado durante 20 anos.

“Estamos perdendo a oportunidade de comunicar melhor em um momento em que governo e congresso estão abrindo amarras, diante de um marco regulatório que vai mexer com pontos importantes. Não abordar questões como a do desmatamento com números e dados confiáveis leva a uma perda da credibilidade do Brasil e do nosso agronegócio”, completou.

Fotos: Gerardo Lazzari/Divulgação ABAG e Cristina Rappa/Crível Comunicação.

Leia ainda:

 

Futuro do agronegócio está na integração entre sustentabilidade, inovação e conectividade