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A inovação no setor de energia

Mota, da Pulse, hub de inovação da Raízen: "não somos uma empresa que apenas planta e colhe cana"

Raízen monta um hub de startups e diz que colaboração e agilidade são fundamentais para o seu sucesso 

Mota, do Pulse, hub da Raízen: “não queremos ser vistos como uma empresa que apenas planta e colhe cana”

Ninguém mais questiona o desenvolvimento tecnológico presente na produção de alimentos e energia no Brasil, especialmente na genética das sementes, no controle biológico das pragas, e no manejo, com o uso de técnicas como a agricultura de precisão. Nos últimos anos, o agronegócio tem acelerado esse processo de inovação criando um ambiente propício para as startups do setor atuarem e contribuirem para esse crescimento.

A Raízen, empresa criada a partir da junção da Shell com a Cosan e um dos principais fabricantes de etanol de cana-de-açúcar do mundo, criou um hub de inovação, em que hospeda e investe em novas empresas, com o objetivo de se tornar “uma influenciadora e contribuidora no ecossistema da inovação”, explica Fábio Mota, vice-presidente da empresa, responsável pela Pulse, que é como foi batizado o Hub de Inovação da empresa, criado em agosto de 2017 e sediado em Piracicaba/SP. Mota falou sobre o Pulse durante a 18a Conferência Internacional da Datagro sobre Açúcar e Etanol, realizado em 29 e 30 de outubro em São Paulo.

Para “cooptar” empresas com potencial de agregar positivamente no processo de inovação da produção de energia, a Pulse, além procurar ser atrativa a esses jovens criativos, monitora constantemente as startups, para identificar as oportunidades e ameaças ao seu negócio. Além de investir em uma mudança cultural na Raízen, com a preparação de seus funcionários para a transformação digital.

E por que não investir dentro da própria empresa e sim nas startups? “Uma startup tem estrutura mais ágil do que as grandes corporações”, explica Mota, enfatizando que, por seu lado, a Raízen busca mostrar – ao público e aos “criativos”- que é uma empresa aberta à inovação e não “uma empresa que apenas planta e colhe cana-de-açúcar”. E, afinal, o agronegócio envolve uma complexa cadeia que demanda soluções em diversas outras áreas, como logística, indústria, finanças, comércio, gestão de pessoas, entre outros.

Colaboração

A ideia do hub de inovação é se beneficiar de um ambiente enriquecido pela interação entre tecnologias distintas. “Isso está se mostrando benéfico”, reconhece Mota. “ Mas não há receita de bolo pronta. Estamos experimentando”, avisa.

E a colaboração não é apenas positiva entre diferentes startups, mas também entre investidores, universidades, entidades, executivos e organizações do agronegócio.

Essa oportunidade de integração e compartilhamento de informações e dados é muito importante para o sucesso do negócio, reconhece Leonardo Luvezuti, da startup Perfect Flight, uma das empresas que fazem parte do hub da Raízen. A empresa, de São João da Boa Vista, interior de São Paulo, desenvolveu um sistema de gestão da aplicação de defensivos agrícolas via aérea, com o objetivo de evitar desperdícios e aumentar a assertividade da aplicação.

Além da oportunidade de interação com outras startups, a capacidade de “chegar antes” e a chancela de uma corporação como a Raízen têm sido determinantes para o sucesso da Perfect Flight, reconhece Luvezuti.