Ainda, e sempre, a água
24 de agosto de 2015
Cosméticos são uso promissor do café apostam Cooxupé e AQIA
26 de agosto de 2015

A importância dos solos e o uso de fertilizantes para o desenvolvimento agrícola são discutidos em Congresso

Promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos, encontro reuniu autoridades, cientistas, empresários e lideranças do agronegócio no Brasil

fertilizanteSob o tema “Solos e fertilizantes como pilares da segurança alimentar global”, a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) promoveu em São Paulo o 5º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, que reuniu representantes do governo, cientistas, empresários e lideranças do agronegócio no Brasil.

Paul E. Fixen, vice-presidente sênior do International Plant Nutrition Institute e presidente da American Society of Agronomy, que abriu o ciclo de painéis, foi o convidado para discutir o tema “Solo, fertilizantes e segurança alimentar”. Iniciando sua fala com a lembrança de que 2015 foi escolhido pela FAO como o “Ano Internacional dos Solos”, Fixen pediu aos presentes que fizessem uma reflexão a respeito do impacto e da influência do solo em suas vidas. “Qual é a sua história com o solo?”

Para inspirar os participantes, contou um pouco de como começou a sua história com a terra, que envolveu a mudança da propriedade familiar Fixen Farm, na Noruega para Minnesota, nos Estados Unidos e anos mais tarde, a participação em um programa de aprendizagem no solo na escola. “Foi nesta época, no colegial, que tive uma experiência fantástica; que descobri que o solo tem três dimensões e que entender o que acontece abaixo da superfície é de extrema importância para compreender a superfície”, contou.

Fixen falou ainda sobre o impacto da nutrição do solo na agricultura com o uso dos fertilizantes, que proporcionou aumento de produtividade, manutenção da matéria orgânica do solo e segurança nutricional dos cultivos. Segundo ele, de 40% a 60% da produção mundial de alimentos depende do uso de fertilizantes. “O que temos de fazer hoje é lançar mão de toda a tecnologia ao nosso dispor para fazer uma adubação cada vez mais eficiente, quase que adaptada a cada planta, para aumentar a produtividade sem desperdiçar insumos e, ao mesmo tempo, evitar impactos ambientais decorrentes de adubação excessiva e desnecessária”, disse.

Agrossociedade

José Luiz Tejon, diretor do Núcleo de Estudos de Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) foi o convidado para discorrer sobre “Solo, Fertilizantes e Agrossociedade”, tema do segundo painel do encontro.

Tejon falou sobre a rápida transformação pela qual passa o planeta e os desafios do agronegócio diante de uma nova era em que se valoriza o imediato e o midiático. “Precisamos aprender a conversar com o cliente de nosso cliente, que é o consumidor final. Não podemos mais manter a informação apenas dentro da cadeia”, disse.

Como exemplo desse processo de mudança, Tejon falou sobre o interesse do consumidor final em conhecer a origem do alimento que consome, como foi processado e se é sustentável. Ainda segundo o especialista, a ciência é alvo de ataques por desconhecimento e, por isso, o agronegócio tem o desafio de trabalhar de forma lúdica e educativa para o consumidor final o conceito de ciência nesse setor. “Temos de explicar o que é defensivo agrícola, agricultura de precisão, fertilizante, porque senão o consumidor vai falar que somente comida orgânica é boa e saudável, o que não é correto. Essa integração entre a sociedade urbana e o campo representa a realidade e o futuro mundial”, completou.

Para finalizar, Tejon enumerou sete desafios pelos quais o agronegócio brasileiro terá de superar para ter um papel estratégico de provedor de alimentos para o mundo em 2050, cuja estimativa é termos 10 bilhões de pessoas. “Preço de terra, população, desperdício de alimentos e insumos, consumidor mais exigente, ciência com maior capilaridade, entendimento sobre o funcionamento das cadeias produtivas e mudança de mentalidade do produtor rural”.